Quando a realidade bate com força.
Olá leitores!
E, voltando às postagens desse título no "dia certo", vamos continuar a "saga" de Thomas, o covarde que, em meio a um surto zumbi, precisará encontrar coragem para sobreviver.
Portanto, sem mais delongas... Boa leitura!]
15. Despertar para uma nova realidade.
Thomas despertou com o corpo dolorido, por ter ficado sem sentidos por tanto tempo dentro do balcão da lanchonete e, sentindo até falta de ar e desnorteado, procurou logo uma saída sem nem lembrar o motivo que o levou a se esconder.
O rapaz ajeitou o corpo, sentindo dor nas costas e em outros locais que haviam ficado tortos durante o tempo que ficara desacordado e, assim que olhou ao redor, a realidade foi retornando à sua mente, o que os fez desejar de imediato que não tivesse acordado.
A respiração ficou difícil e entrecortada, suor em profusão começou a escorrer por sua cabeça, as pupilas se dilataram, até mesmo o som ambiente pareceu ficar abafado, conforme ele olhava ao seu redor.
Imensas manchas de sangue se espalhavam pelas paredes da lanchonete, mas isso não foi o pior, pois finalmente o cheio o atingiu como um soco bem dado no meio da cara.
Carne que fora deixava para trás pelos zumbis apodrecia e exalava um fedor desconcertante enquanto o som das moscas, que haviam sido atraídas pela carnificina, criavam uma sinfonia bizarra.
Finalmente o estômago de Thomas cedeu ao stress da situação e ele encolheu o corpo, vomitando o verdadeiro nada que tinha ali, apenas a bile quente e ácida, que passou queimando por sua garganta.
Foram minutos agonizantes, mas assim que seu corpo finalmente percebeu que não havia mais nada para ser colocado para fora, tentando ser o mais silencioso possível, Thomas foi até uma torneira próxima e lavou o rosto, fez um bochecho e sentou em uma cadeira mais ao fundo, um local um pouco mais limpo que o restante da lanchonete.
Ele precisava pensar.
Não importava como aquele pesadelo havia começado, ele tinha medo de ver filmes de zumbis, mas detalhes sobre aquele tipo de narrativa haviam se tornado de conhecimento público.
Tiro na cabeça ou decapitação serviam para derrubar os monstros de vez, qualquer outro tipo de dano os atrasava ou, quanto muito, os tirava de ação momentaneamente.
Mordidas ou, em alguns casos, até arranhões, eram capazes de transmitir o que quer que fosse, doença ou maldição.
Mesmo entrar em contato com fluídos dos monstros, em alguns casos, servia para ser infectado.
Enfrentar diretamente os zumbis estava fora de cogitação, Thomas conhecia muito bem a si mesmo para saber que, mesmo em uma situação completamente hipotética, onde ele tentasse enfrentar um daqueles monstros, não teria força para causar qualquer um dos ferimentos que tirariam um deles de ação de forma definitiva.
Portanto só restava o que ele fizera a vida inteira.
Fugir.
Tal pensamento, que antes o faria ficar deprimido por se achar tão patético, no momento se acendeu como a luz de um farol para um barco encalhado na alta madrugada, o tipo de comparação que seu pai faria normalmente.
Seu pai e sua mãe. Pensar nos dois fez o jovem baixar a cabeça e ficar em silêncio por alguns instantes, se perguntando se eles, que moravam no interior, estariam bem, ou se o inferno já os alcançara.
— Chega de pensar nisso cara. — ele então deu alguns tapas nas bochechas. — Agora tu precisa pensar nos próximos passos. E parar de falar sozinho.
Com cuidado redobrado, ele se aproximou da entrada da lanchonete, tentando sondar os arredores, procurando por zumbis que estivessem passando por perto e procurando ignorar o som de explosões ocorridas ao longe, ou os gritos de socorro que chegavam até ele.
Após mais de duas horas de estudo, além do medo profundo e paralisante que ele sentia, Thomas finalmente traçou um plano para conseguir o que ele precisava e depois de mais duas horas reunindo coragem para dar o primeiro passo para fora da lanchonete, ele finalmente se colocou em movimento.
Primeiro ele seguiu até uma loja de roupas ali perto, percorrendo o trajeto em menos de cinco minutos, pulando por sobre bancos e até mesmo motos caídas, nenhum sendo um obstáculo real.
Assim que literalmente saltou lá para dentro, após uma olhava rápida, porém minuciosa e constatar que o local estava vazio, ele tratou de fechar a porta da entrada e começou suas “compras”.
Tudo ia seguindo conforme o plano, ele já estava com roupas mais reforçadas, o que incluía até uma jaqueta de couro, além de uma mochila grande onde ele guardou outras peças para reposição que ia nas suas costas e mais uma que ele manteve à frente do corpo, onde seriam guardados mantimentos, que pretendia pegar em um dos mercados de produtos variados que estava também a poucos metros dali.
Antes, porém ele precisava se preparar ainda mais, mesmo que não pretendesse lutar, ao menos uma arma se fazia necessária, além de algum carro para poder fugir o mais rápido possível da cidade.
Olhando pela porta da loja ele conferiu várias possibilidades de carros, todos com as portas abertas e, se ele estivesse com sorte, vazios e com as chaves no contato.
Novamente, o que outras pessoas teriam tentado fazer em minutos, para Thomas era necessário quase uma hora, apenas para controlar o medo que estava sentindo e o paralisava, antes de sair de mais um esconderijo que, talvez, ele pudesse usar por dias.
De alguma forma o próprio medo que sempre atrapalhou sua vida em tudo, naquele momento parecia empurrá-lo, dando-lhe uma sensação de urgência, era algo que parecia lhe dizer, no íntimo, que ele precisava se preparar o melhor que fosse possível e saísse dali o quanto antes.
Com mais uma corrida ele alcançou uma galeria de lojas especializadas em produtos ligados a desenhos e séries japonesas, onde muitas pessoas conseguiam itens para cosplay.
“Com certeza eu descolo, pelo menos, uma espada aqui.”
Indo de loja em loja, sempre se demorando para ter certeza de estar vazia antes de entrar, ele percebia que muitas estavam reviradas, pelo motivo de que quem quer que estivesse ali, fregueses ou vendedores, haviam saído rápido, sem se importar com o que estivesse pela frente
Foi no exato momento em que ele conseguia uma katana, dentro de uma loja que estava, ele deu graças a Deus, vazia, que aconteceu uma das dezenas de coisas das quais ele tinha medo.
Um pedido de socorro chegou aos seus ouvidos e sem outra escolha, ele apenas deixou escapar uma interjeição, que ilustrava perfeitamente aquela situação.
— Merda!



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