16. O covarde reaprende uma lição?

 


Quando se aprende algo que não deveria ter esquecido.


Olá leitores!

Chegamos ao fim do arco de Thomas, nosso sobrevivente covarde.

Será que ele vai conseguir escapar? Vamos descobrir agora.

Portanto, sem mais delongas... Boa leitura!


16. O covarde reaprende uma lição?


Socorro!


Thomas olhou pela janela da loja em que estava e, andares abaixo, ele viu um casal fugindo de um grupo de cinco zumbis, conseguindo abrigo ao subir no teto de um ônibus agora vazio.


Não é problema meu. Não é problema meu.”


Praticamente criando um mantra naquele instante, o jovem apenas seguiu procurando por itens que pudessem ajudá-lo a sobreviver, enquanto ele reunia coragem para sair da galeria de lojas, ir rápido até um dos mercadinhos da região e então conseguir algum meio de locomoção para uma fuga rápida.


Ele precisava apenas continuar ignorando o casal, até mesmo aproveitar que os gritos da garota estavam atraindo a atenção dos zumbis próximos, o que deixaria seu caminho mais livre e fácil, sendo que conseguiria até mesmo seguir o cronograma de tempo que planejara, antes de sair da lanchonete onde tinha passado a noite.


Por favor! Alguém ajuda!


Foram apenas dois dias desde que o surto zumbi havia começado, ele dormira um dia em um banheiro e no outro dentro de um balcão de lanchonete, se não seguisse seus planos, com certeza não precisaria de outro lugar para dormir, pois seria pego e viraria um dos monstros.


Essa era um dos novos medos destravados e já arraigados na alma de Thomas, se tornar uma daquelas coisas e ficar cambaleando por aí, literalmente pegando fogo por dentro.


Pensar em tal possibilidade o deixava com os pelos dos braços eriçados.


Decidido a não arriscar terminar como um zumbi flamejante, Thomas continuou a pegar tudo o que podia das lojas da galeria, se esforçando para ignorar os insistentes gritos de socorro.


Quando finalmente chegou o momento de sair dali e ir até um dos mercadinhos próximos, seguindo o plano que alcançara a etapa de conseguir comida, com o canto dos olhos o rapaz reparou no ônibus que ainda estava cercado pelos zumbis.


Deixa pra lá. Não é problema seu. Deixa pra lá.”


Talvez por causa do absurdo da situação, talvez até pelo medo de ficar sozinho em meio ao fim do mundo, Thomas nunca saberia dizer o motivo real, mas, assim que ele deu o primeiro passo para fora da galeria, se viu correndo na direção dos zumbis que estavam perto, gritando para chamar a atenção deles.


Idiota. Idiota. Idiota.”


Como visitar o bairro da Liberdade era algo que ele adorava fazer, além da capacidade natural para fugir correndo de qualquer perigo, não foi difícil para o jovem atrair o grupo de monstros, despistá-los depois de se embrenhar pelas ruas próximas e voltar para o ônibus, tendo gasto poucos minutos em toda a operação.


Os pulmões ardiam, o esforço repentino, para alguém que estava acostumado a fazer o mínimo, sempre tentando ficar “invisível”, cobrava o preço, mas agora Thomas também estava com a adrenalina a mil, conforme se esforçava para alcançar o topo do ônibus.


Oi gente, vamos descer logo e…


O grito foi mais fino e estridente que ele admitiria um dia ter soltado, mas o susto que tomou, conforme viu o homem, do casal que ele vira em perigo, já transformado e com o braço da mulher na boca, conforme ela convulsionava ao seu lado, foi o suficiente para que o rapaz despencasse do alto do veículo, torcendo de leve seu pé direito na queda.


Idiota. Idiota. Idiota!”


Não houve tempo, no entanto, para que ele se arrependesse ou mesmo conferisse como estava o pé, pois logo o casal, agora ambos zumbificados, saltaram do topo do ônibus e, mesmo quebrando as pernas, seguiam se arrastando, ansiosos por alcançar a nova presa.


A adrenalina jorrava enquanto, em completo desespero, Thomas via por uma rua que os outros zumbis, que ele havia despistado, agora vinham se aproximando, aumentando os riscos, que ele resolvera correr por uma total imbecilidade.


Em seu íntimo ele jurava que nunca mais tentaria ser corajoso e pedia a Deus que lhe desse uma nova chance.


O sangue parecia fazer tambores ecoarem nos ouvidos do rapaz, o som ao redor parecia ficar abafado, até mesmo sua respiração acelerada soava de forma estranha.


A visão periférica dava a impressão de escurecer, o suor brotava em abundância pelo corpo, vários sintomas de um ataque de pânico, algo com o qual ele não poderia lidar naquele momento.


Merda. Se controla desgraçado! Quer morrer e virar zumbi?”


O pensamento cortou o fluxo do pavor, ele fechou os olhos por um instante, respirou fundo, rezando para não ser atacado durante aquela tentativa de se controlar e então finalmente conseguiu olhar ao redor e encontrar uma saída.


De fato, debaixo de um toldo, o que impediu Thomas de localizá-lo antes, estava um carro-forte amarelo, daqueles usados para o transporte de dinheiro, abandonado e com as portas abertas.


Ele correu até o veículo, antes dos zumbis o alcançarem, mas parou a tempo de ver mais um obstáculo inesperado.


Preso pelo cinto de segurança, um zumbi tentava se soltar desesperadamente, ao ver uma presa se aproximar tanto, mordendo o ar, o que resultava num som horrível.


Ele olhou pela frente do carro, percebendo que os zumbis finalmente alcançaram o local de onde ele acabara de sair correndo, todos movendo suas cabeças em várias direções, com certeza procurando-o.


Não havia outra opção, por isso ele pegou a espada, retirou-a da bainha e, com cuidado extremo, ele conseguiu enfiar a lâmina pela boca do monstro, empurrando até sair pelo alto da cabeça, confirmando o que os filmes diziam.


Para eliminar de vez um zumbi era preciso atingir seu cérebro.


Ao ver que o calor interno do monstro estava começando a aquecer o metal de sua arma, Thomas logo a puxou, para só então entrar no carro, conferir, com um novo agradecimento a Deus, que a chave estava no contato, soltar o cinto de segurança do seu passageiro indesejado, o empurrar para fora, fechar todas as portas e, finalmente, lamentando por não ter conseguido entrar num mercadinho para consegui mantimentos, ligar o carro, se afastando lentamente daquele inferno.


Mal entrou na rua lateral da Igreja da Sé, outro grito de socorro chegou aos seus ouvidos, o que fez com que Thomas chegasse a diminuir a velocidade do carro forte.


Bastou a lembrança do que ocorrera minutos atrás “Ou foi toda uma vida?” ele pensou, enquanto ignorava os gritos e, pouco a pouco, ia acelerando.


Lição aprendida.”



Postar um comentário

1 Comentários

  1. Tenso... Muito tenso... A lição da sobrevivência... Numa situação como a que estão vivendo nessa aventura, ser bondoso, ser altruísta, ser empático, pode te custar a vida infelizmente... É um cenário onde eu seria vítima em pouco tempo, não iria conseguir simplesmente ignorar, até porque, a ajuda dada pode retribuir com outra ajuda mais na frente (ou uma traição das bem FDP também) mas sozinho, eu iria cometer os mesmos erros do Thomas... Se estivesse com minha família, tudo mudava, ae era manter elas vivas e salvas, tenho certeza que nesse contexto eu teria atitudes bem diferentes das que uso hoje, mas sozinho, tentando sobreviver como Thomas, eu iria sem dúvida tentar ajudar outros a sobreviver e com isso, pode ter certeza que eu virava zumbi rapidão kkkk! Mas cara, muito bom, excelente narrativa, nos coloca dentro da mente do Thomas e nos faz refletir como fiz acima, como a gente agiria nesses casos, como a gente iria dar conta de tais situações, e isso é uma reflexão muito bem-vinda! Vamos ver o que aguarda Thomas ainda, mas é difícil alguém como ele, se não mudar muito, sobreviver muito tempo, infelizmente... Parabéns pelo trabalho e de novo, que bom que tu voltou com esse título!! \0/

    ResponderExcluir