14. Tendo o medo como proteção.

  


Quando o medo é seu melhor aliado.


Olá leitores!

Cá estamos aqui de volta ao meu título de zumbis, começando um arco que, espero, agrade a todos.

Caso você seja um leitor novo, que comece esse título por esse capítulo, uma pequenba explicação se faz necessária.

"O fim do mundo começou na sexta" nasceu da minha vontade de escrever uma histórias com meus monstros favoritos, que tivesse sempre arcos de, no máximo, uns 3 capítulos, focando em personagens que, inicialmente, nem se encontrariam  e que, ao contrário de muitos filmes e/ou séries, possuem todo um background que possibilitaria a eles sobreviverem facilmente em um cenário de apocalipse zumbis.

Depois de um hiato muito necessário, vamos conhecer Thomas, um grande covarde, e como ele sobreviverá, ou não, à pior sexta feira de todas.

portanto, sem mais delongas... Boa leitura!



O medo sempre esteve presente na vida de Thomas Goulard e, se lhe perguntassem, antes da Sexta Z, ele juraria de pés juntos que morreria sem cometer um ato sequer de coragem.


Depois que os mortos incandescentes tomaram o mundo, tudo mudou, mas, novamente, se perguntar para o pobre Thomas, ele lhe responderia, entre lágrimas de desespero que, no fim, tudo estava igual a antes.


Assim que o surto se iniciou, naquela sexta feira fatídica, ele conseguiu correr e se trancar numa das cabines do banheiro da estação Liberdade, do metrô de São Paulo, ficando praticamente paralisado por mais de cinco horas seguidas.


Era alta madrugada quando ele reuniu uma coragem, que nunca sequer imaginou ter, para abrir a porta da cabine onde estava e olhar ao redor, para depois se fechar novamente.


Foram exatamente vinte vezes fazendo a mesma sequência de ações até que, finalmente, ele decidira sair do banheiro e descobrir o que estava acontecendo.


Claro que a fome que ele estava sentindo influenciou muito em sua decisão, mas, de todo modo, lá estava ele, empunhando um esfregão, que havia sido largado no banheiro por um faxineiro, que havia escapado assim que o surto começara e que agora serviria de arma improvisada para Thomas.


Com passos hesitantes, ele foi avançando lentamente por dentro da estação, fazendo um esforço hercúleo, não apenas para mover as pernas, mas para manter no estômago o lanche que havia comido antes do inferno começar, uma vez que era possível ver, por todos os lados, o que ele identificava como restos de corpos que pareciam ter sido retalhados por animais selvagens.


O que não estava longe da verdade.


Com muito custo e em uma lentidão assombrosa, o rapaz alcançou as escadas que davam para a saída da estação, com uma prece silenciosa no coração, ele começou a subir os degraus, sobressaltando a casa som abafado de explosões que aconteciam ao longe.


Com medo até de que seus pensamentos soassem alto e atraíssem alguma das criaturas que, até então, ele se recusava a aceitar que fossem zumbis, Thomas finalmente alcançava as ruas do bairro japonês da cidade de São Paulo.


Imediatamente ele desejou voltar correndo para o banheiro.


Um cenário de caos e horror se descortinava diante de seus olhos, com focos de incêndios destruindo prédios inteiros, veículos batidos, mutos virados, outros em chamas, mas o pior eram os corpos.


Restos espalhados por todos os cantos, praticamente não havia um único corpo inteiro nos arredores, o que acabou por ser demais para o estômago de Thomas que, em uma dolorosa revolta, o fez vomitar violentamente.


Ai, merda! Essa não!”


Ele primeiro ouviu o som dos lamentos emitidos pelos zumbis, lhe dando a impressão de que pareciam estar sofrendo uma dor terrível e, quando um grupo com mais de vinte monstros virou uma esquina, o corpo dele foi inundado por adrenalina, o coração bombeou sangue com tanta força que parecia até que seus tímpanos iam estourar.


Só mesmo com essa enxurrada de hormônios para que os pés do rapaz se movessem, fazendo com que ele partisse numa desabalada corrida, procurando desesperadamente por abrigo.


Os olhos estavam tão arregalados que davam a impressão de que saltariam das órbitas a qualquer instante, mas, dessa forma, ele percebeu que a entrada de uma lanchonete próxima estava com a porta de ferro fechada apenas até a metade.


Sem sequer considerar se o local pudesse ou não estar vazio, Thomas tratou de praticamente mergulhar lá dentro, fechando a porta com estardalhaço e se afastando dela, com receio que algum dos zumbis flamejantes pudesse derreter a porta e chegar até ele.


Com a adrenalina finalmente baixando, o rapaz permaneceu paralisado no lugar onde caíra por um tempo que não poderia precisar, começando a sentir os efeitos do cansaço decorrente do esforço de ter reunido uma coragem que não tinha e saído de seu primeiro esconderijo.


Sem ter certeza de que a lanchonete estava mesmo vazia, ele conseguiu, com muito custo, se arrastar até o balcão, tirar tudo o que tinha no armário onde o dono guardava pacotes de guardanapo, entre outros materiais e se enfiar ali dentro, dando graças por ser magro e baixinho.


Uma vez lá dentro, acabou perdendo os sentidos e ficaria assim até o dia seguinte.


E quando finalmente acordou, Thomas desejou do fundo do coração, que tivesse sido possível ter permanecido desacordado por mais tempo.


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