Notícias de Lázaro. Proteção Familiar - Começos e obstáculos. One Shot.

 


Olá leitores. Sejam bem vindos a um novo universo de histórias que estou bolando e que inicio com essa One-shot especial.

Graças a uma conversa com uma de minhas irmãs, ela sugeriu que eu tentasse mudar um pouco o foco e os temas que normalmente eu escrevo, que é algo mais voltado para fantasia e/ou temas fantásticos.

Dessa forma resolvi criar uma cidade fictícia cujo nome deu origem a esse novo universo de histórias, escrever, nessa One, sobre uma família que retorna à cidade de Lázaro, após um incidente que os marcou para a vida inteira.

Nesse texto não haverão poderes, criaturas fanstásticas, lutas pelo destino do mundo ou do universo, apenas pessoas lidando com começos, recomeços e obstáculos que podem surgir, de forma fora do comum ou mesmo com problemas rotineiros.

Além dessa One, que poode vir a se tornar um livro, estou preparando também "Notícias de Lázaro - Manchetes do dia a dia", uma série de pequenos contos onde tentarei desenvolver outros personagens e a cidade de Lázaro em si.

Espero que gostem da história.

Portanto, sem mais delongas, sejam bem vindos à cidade de Lázaro e... 

Boa leitura.



Notícias de Lázaro.


Proteção Familiar.


Começos e obstáculos.


O Civic prata seguia pelas ruas da cidade de Lázaro, em meio a um dos bairros mais ricos, mas que, mesmo assim, apresentava um trânsito intenso por volta das seis e meia da manhã.


Tudo bem aí atrás senhorita Helena?


O motorista, que servia também como guarda-costas, contratado há poucas semanas, tentava puxar papo com a menina, que continuava a abraçar um bicho de pelúcia, um urso polar, seu favorito e que sempre estava lá para quando ela passasse por algo difícil.


No alto de seus sete anos, Helena de Castro e Neves, filha de um dos maiores empresários da cidade, já havia passado por algumas situações que afetariam muito um adulto, mas ela tentava seguir sempre forte.


Não conheceu sua mãe, que havia morrido no parto e a avó, que ajudara a criá-la, havia partido há pouco mais de um mês, vítima de um câncer agressivo, ao mesmo tempo que fora vítima de diversas tentativas de sequestro, o que contribuíra para seu atual estado de isolamento social.


Ainda assim, mesmo sabendo de tal condição, Robson, o enviado da melhor empresa de segurança da cidade, a Agência Ordem e Proteção, e pai recente, tentava deixar o trajeto casa/escola mais confortável para a pequena passageira.


Qual o nome do seu ursinho? Minha filha está com uns dois meses, mas já tenho que pensar em quais bichinhos posso comprar pra ela.


Eu chamo ele de Olaf.


Uau! É daquele desenho da moça que faz gelo né?


Sim, a Elsa. Eu amo as músicas dela.


Alheios à conversa carinhosa entre os ocupantes do carro, dois homens dentro de um furgão preto e sem placas, ligaram seu veículo, assim que viram passar um carro que batia com a descrição passada a eles na noite anterior.


A ordem havia sido clara.


Interceptar o Civic prata da família Castro e Neves, que tinha um alto nível de blindagem, levar a menina e matar quem mais estivesse com ela.


Primeiro o furgão seguiu seu alvo por certa de dez minutos, mas logo, mesmo estando em meio a um tráfico pesado, ainda que fluindo bem, eles aceleraram até emparelhar com o Civic.


Foi quando o caos se instaurou.


Tiros foram disparados contra o motorista, que suspirou aliviado pela blindagem especial do veículo ter resistido perfeitamente, mas já ficando em estado de alerta, pois sabia que a ameaça não ficaria apenas naquilo.


O Civic acelerou, conseguindo se afastar um pouco dos agressores, enquanto os demais carros, que estavam na avenida Rogério Leme, foram brecando e tentando se afastar do incidente.


Apenas uma moto ia passando por entre esses veículos e, ao contrário dos demais motoristas, não dava sinais de que seu piloto pretendia ficar longe.


Muito pelo contrário.


Alheios ao motoqueiro que se aproximava, os dois homens que estavam no furgão trataram de acertar a traseira do Civic, o que fez o carro girar algumas vezes até parar abruptamente, após acertar sua lateral em um poste, localizado ao lado de uma padaria de esquina, cujos fregueses fugiram o mais rápido que lhe era possível.


Os criminosos saltaram do furgão e assim que um deles abriu a porta lateral do veículo, deixando-a aberta para facilitar a fuga, caminharam com cuidado até o Civic, pretendendo levar a pequena Helena, mas, como sabiam que o motorista dela, provavelmente, era também um guarda-costas, o cuidado foi dobrado.


Quero ver a janela aguentar uns pipoco dessa distância! Abre a porta seu filha da puta!


A adrenalina estava bombeando tão forte pelos corpos dos criminosos, que só ouviram som da moto quando o veículo já estava quase encima deles.


O motoqueiro os alcançou e, com sua mão direita estendida, onde se destacava um cassetete retrátil, passou pela dupla, acertando um deles na têmpora e fazendo-o cair desacordado na mesma hora.


Beto!


O outro criminoso conseguiu pular para trás, evitando tanto a moto como o recém-chegado, que saltou de seu veículo, deixando-o cair de lado e se arrastar alguns metros de distância, devido à inércia.


Em poucos instantes o motoqueiro, sem dar tempo para que o criminoso conseguisse uma vez sequer, o alcançou, acertando-lhe um golpe nas costas da mão que empunhava a arma, que foi jogada longe, caindo debaixo do furgão.


Antes mesmo dele pensar no que deveria fazer em seguida, o motoqueiro desferiu um novo golpe com o cassetete, vindo de cima para baixo, mas o criminoso se protegeu com o antebraço, deixando claro que não cairia tão fácil quanto seu amigo e, em seguida, ergueu os punhos como um pugilista.


O motoqueiro manteve seu capacete, não jogaria fora uma provável vantagem contra alguém que, ele reparava agora com mais calma, era bem maior e aparentemente mais forte, praticamente um gigante.


Sem aviso algum o cassetete foi arremessado com precisão na direção do rosto do criminoso que, ao se defender, desviou o olhar de seu oponente por poucos segundos.


Tempo mais que suficiente.


Assim que o cassetete praticamente quicou ao atingir os braços cruzados do criminoso, assim que ele os abaixou, seu rosto ficou exposto a um punho enluvado, que seguiu numa velocidade espantosa contra ele.


Sangue espirrou longe quando o nariz do gigante quebrou, conforme foi atingido pelo soco direto do motoqueiro que, ato reflexo, desferiu em seguida um chute no flanco esquerdo do oponente, girou rápido para as costas do mesmo, acertando-o nas partes de trás dos joelhos, fazendo com que o criminoso caísse, só assim ficando mais baixo que seu inimigo, que não perdeu tempo e voltou para a frente.


Foram necessários quatro socos, desferidos com as duas mãos, para que o criminoso, enfim, caísse para trás, sem sentidos.


Um tiro ecoou pela rua, fazendo o motoqueiro se sobressaltar e olhar rápido às suas costas, a tempo de ver o outro criminoso se ajoelhar no chão, segurando a mão, que empunhara uma arma e de onde agora vertia sangue.


Antunes!


O motoqueiro finalmente tirava seu capacete, correndo na direção do carro batido, de onde um homem, cabeça sangrando e uma arma apontada para frente, ia saindo para a rua.


Você tá bem cara? Foi uma pancada e tanto.


Tô legal, Samuel. Precisa mais que uma pancadinha num poste pra me derrubar de vez. E olha que ainda bem né? Tu não viu o cara apontando a arma pra ti.


Na verdade, pensou o motoqueiro, ele havia percebido o som da arma sendo engatilhada e já estava pronto para reagir, quando seu colega eliminou a ameaça.


Mas o homem conhecido como Samuel Freitas não falaria nada para diminuir seu colega de trabalho, preferindo deixar o outro achar que o salvou, enquanto atendia o celular.


Tudo certo Robson? A pequena chegou bem na escola? Sim. Sim. Tentaram sim. Eu falei que sair mais cedo pelos fundos da casa e fazer o caminho mais logo ia dar certo. Agora fica aí de olho e leva ela em segurança pra casa depois da aula. Se precisar de algo avisa. Sim. Isso. Beleza. Até mais.


Assim que desligou o celular, Samuel começou a prestar socorro ao colega ferido, depois de prender os pulsos dos pretensos sequestradores com enforca gatos, conforme começava a ouvir as sirenes da polícia e dos paramédicos se aproximando.


Um ótimo começo do primeiro dia, do novo trabalho.” ele pensou, conforme se lembrava, com tristeza, de que não pode acompanhar sua filha, que também chegava na nova escola, para o seu também primeiro dia de aula.


Brigada vó. Até mais tarde.


Depois de um beijo estalado na bochecha de dona Olga, que aguardava sua entrada pelos portões da escola particular Humberto Garcia Ramos, o maior colégio particular da cidade, Mariana Freitas de Carvalho saiu do carro, respirou fundo e logo estava andando pelo pátio, procurando pelo prédio onde ficaria a sala da turma do 6º A.


Seu aniversário de doze anos seria dali a duas semanas e era nisso que pensava quando escutou algo parecido com um choro abafado e vozes com tom agressivo, sons que chamaram sua atenção e que foram impossíveis de ser ignorados.


Assim que Mariana virou em uma reentrância, localizada entre dois prédios do colégio, que possuía um total de quatro construções, cada uma de cinco andares, viu que três outras garotas, todas bem maiores que ela, pareciam cercar outra menina, essa quase da mesma estatura que ela.


O que tá acontecendo aqui?


A menina que estava segurando a menina indefesa pelo colarinho da camiseta, soltou-a nos braços de suas amigas, se aproximou, mão fechadas apoiadas na cintura, numa tentativa clara de intimidação e logo estava com o rosto a poucos centímetros da recém-chegada.


Nunca te vi aqui na escola. Tu é nova né? Se sabe o que é melhor para você, nunca mais se meta no que não é chamada. Se não, a gente pode pensar em arranjar outra “secretária”. Sacou?


Após fazer um exagerado gesto de "aspas" com as duas mãos, a aparente líder após perceber, com raiva crescente, que a aluna nova não pretendia sair dali, chamou suas colegas, estavam mais para capangas, pensou Mariana, e começaram a se afastar, avisando que aquilo ainda não tinha acabado e logo apenas as garotas menores permaneceram ali.


Vem, eu te ajudo a levantar.


A outra aceitou a mão que lhe era estendida, era até estranho receber uma gentileza, após o final de ano terrível que passara nas mãos de Renata e suas amigas, que não fora nem um pouco amenizado pelas curtas férias escolares.


As esperanças de que algo pudesse ter acontecido às garotas e que ela conseguisse se sentir verdadeiramente feliz com a volta às aulas, não durara nem dez minutos, quando foi agarrada e arrastada até um local que as agressoras acreditavam não haver câmeras.


Sentindo-se aliviada, não, melhor dizer abençoada pela chegada da nova aluna, que ela identificou dessa forma por nunca a ter visto no colégio, a menina intimidada logo se apresentou como Danielle Limeira, mas assim que apertou a mão da menina que a ajudara e olhou bem para o rosto dela, algo se acendeu.


Espera aí! Mari? Mariana Freitas de Souza? É você?


Dani? Dani Choi?


Dessa forma, duas meninas que não se viam há mais de cinco anos, acabaram se reconhecendo e, relembrando a mania se se chamar pelo nome completo quando queriam enfatizar algo, trocaram um abraço cheio de saudade.


Um momento de felicidade e alegria plenos que, infelizmente, não duraria muito.


Enquanto tal encontro emocionado ocorria no colégio, no estacionamento do Hospital Geral Viviane Santos, o principal da cidade de Lázaro, uma senhora de cerca de setenta anos, como se praxe, sofria para descer do carro e se encaixar na moderna cadeira de rodas, que ela havia acabado de armar ao lado da porta do motorista.


A senhora precisa de ajuda?


Um enfermeiro, que havia saído para um rápido cigarro, se adiantou até a senhora e em instantes ela finalmente se deixava levar por ele até a área de fisioterapia.


Muito obrigada meu anjo. Vou falar muito bem de você para a médica que me atender.


Agradeço muito, minha senhora. Tudo de bom.


Ele se afastou e sem muito trabalho, logo Dona Olga se encontrava na ala de fisioterapia do hospital, se preparando para fazer algo que sempre lhe deixava extremamente desconfortável.


Está indo muito bem Senhora Freitas. Sei que ficar em pé é um passo muito doloroso, mas pelo seu prontuário, lá em São Paulo, você começou a dar alguns passos semanas atrás.


Pode me chamar de Olga, Doutora Mattos. De fato, depois de mais de quatro anos de tratamento, graças à invenção recente daquela cientista, sinto que posso, finalmente ter alguma esperança.


Tenho certeza de que juntas poderemos fazer com que a senhora volte a ter uma vida mais próxima do normal o quanto for possível. Agora aqui, me dê um braço e se apoie nas barras paralelas. Essa tem só dois metros. Vamos começar?


Quando finalmente se viu sozinha, de pé e se mantendo assim graças aos tubos de metal que, primeiro esfriaram as palmas de suas mãos, mas que, pouco a pouco iam se aquecendo, tamanha a força com a qual ela segurava.


Mesmo tendo feito sessenta e oito anos no ano passado, devido a uma extensa bateria diária de exercícios, os braços de Dona Olga se tornaram fortes o suficiente para mantê-la erguida, uma vez que a falta de confiança nas pernas poderia fazer com que ela caísse.


Uma fratura por causa de uma queda idiota era a última coisa que ela queria em sua vida, ao menos, não naquele momento e por isso, ela conseguiu se manter firme e dar o primeiro passo.


Muito bem Olga! Tava me enganando né? Tá andando muito bem!


Melhor do que a alguns anos atrás… — a senhora falava entredentes, deixando claro seu esforço. — Mas ainda quero cumprir uma das promessas que fiz para minha neta…


E o que você prometeu Olga?


Que eu estaria de pé para aplaudir quando ela se formar na 9ª série. Sei que é algo meio tonto, mas, é o que achei para dar uma reforçada na minha determinação.


Por um instante o local caiu em um silêncio, enquanto a doutora Mattos precisou engolir em seco a emoção que a resposta havia lhe causado, levando sua mente à própria filha que, naquele momento, estava na creche e que talvez ficasse o dia inteiro sem ver por causa do longo plantão que a aguardava.


Uma saudade grande acertou em cheio o coração da médica, que acabou saindo do transe quando dona Olga lhe chamou a atenção.


Acho que aquele bonitão está acenando para a senhora, Doutora Mattos.


De fato, do outro lado da janela de vidro, que separava o corredor da sala de fisioterapia, um homem, aparentando seus quarenta anos, principalmente por causa das mechas brancas localizadas em suas têmporas, acenava alegremente, um sorriso encantador no belo rosto.


Eu… — a médica tocou de leve a mão direita de sua paciente, por poucos instantes apenas. — Eu já volto.


Apenas aquele breve contato já fora suficiente para a senhora perceber um leve tremor, ficando alerta, mas, somado à forma como o homem recebeu a médica, com um abraço que ela não parecia querer e a maneira como se afastaram, com ele colocando a mão na nuca dela, mesmo sem demonstrar que tal toque estivesse sendo violento, foram sinais que não podia ser ignorados, fazendo ela voltar rapidamente até a cadeira de rodas.


Porra Letícia. Por que tu não tá respondendo as minhas mensagens?


No estacionamento, ao lado de um carro que estava estacionado estrategicamente longe, o homem deixava à mostra toda sua agressividade, segurando com força o pulso da doutora Mattos.


Solta meu braço Felipe. Já falei tudo o que tinha para falar. Agora você tem que cuidar da sua vida, que da minha, cuido eu.


O homem, com sua mão livre, ergueu o punho fechado, dando tempo para que a médica apenas fechasse os olhos, enquanto aguardava o soco e, em seu íntimo, pedia perdão à filha, por ser péssima para escolher companheiros.


O soco, porém, não veio, pelo contrário, ela sentiu o aperto em seu pulso ir pouco a pouco perdendo a força e, quando ela reuniu coragem para abrir os olhos, foi a tempo de ver Felipe caindo sem sentidos no asfalto quente do estacionamento.


A maior surpresa estava logo atrás dele.


Deu muita sorte Sam.


Na sede da Agência Ordem e Proteção, Samuel Freitas estava em reunião com o dono da empresa de segurança, o senhor Henrique Fontana de Souza, que deixava bem claro o fato de não estar satisfeito com a performance de seu empregado, que causou danos a dois veículos em uma única manhã.


A moto ficou bem ralada, mas nada que uma pintura não resolva. O carro ainda conseguiu ficar melhor que o poste que ele atingiu, ambos vão precisar de um bom tempo na mecânica e…


Pelo menos a Helena chegou bem na escola. A ideia de um carro distração, saindo pelos portões da frente da mansão, enquanto outro saía pelos fundos com ela, modéstia à parte, para mim, foi um sucesso.


Você não pretende facilitar nada para esse velho aqui não é?


Foi você que me chamou para voltar e entrar na sua empresa. E eu avisei que faria as coisas do meu jeito. Além, é claro, do verdadeiro motivo que fez eu vir e ainda por cima trazer minha família.


Eu já disse que ainda preciso investigar mais, preciso de mais tempo e quero a sua ajuda. São poucos os homens tão capacitados, após seu período como mercenário e depois como policial aqui em Lázaro, eu sei que pode me ajudar a finalmente pegar o desgraçado que matou seu pai e minha filha.


A sala mergulhou num pesado silêncio enquanto os dois homens remoíam suas perdas, no caso de Samuel, toda a dor de ver a explosão na praça de alimentação do Shopping, que não deixou nenhum vestígio de seu pai, somada aos últimos suspiros de sua esposa Thaís, amparada em seus braços, enquanto não tinha a certeza de como estava sua mãe, sua filha e nem mesmo ele, os três extremamente feridos.


No fim eles sobreviveram, não sem sequelas, mas o pior eram as cicatrizes deixadas na alma dos que restaram daquela família, após um acontecimento tão terrível.


Já Henrique, como acontecia sempre que tocava no assunto da tragédia, primeiro escutava mais uma vez a voz conhecida de um dos maiores chefões do crime organizado de Lázaro, durante a ligação que antecedeu o aviso do que havia acontecido com sua filha.


Agora estamos quites, desgraçado.”


O toque do celular de Samuel quebrou o silêncio, trazendo ambos de volta ao presente.


Sim. Sou eu. Com é que é? Com quem? Já estou a caminho.


Aconteceu alguma coisa?


É da escola da Mari. Somos nós que cuidamos da segurança de lá?


Do colégio Humberto Garcia? Não. Quem cuida de lá é o pessoal da GVS segurança.


Eu preciso ir, mas a gente volta a conversar depois do almoço. Me manda o telefone da GVS, por favor.


Em instantes ele já deixava as dependências do trabalho e em pouco menos de meia hora já estava seguindo pelos corredores da escola na direção da diretoria.


Ah, senhor Freitas, bem-vindo e…


Com apenas um erguer do dedo indicador, sem falar uma palavra sequer, o recém-chegado pediu um momento e seguiu direto até sua filha, que estava sentada num banco de três lugares, de frente para outro, esse ocupado por três garotas, todas bem maiores que Mariana.


Tô aqui anjo.


Ele se abaixou, abraçou a filha e depois, olhando-a nos olhos, pediu para que ela lhe dissesse o que havia acontecido e só então entrou na sala da diretoria.


Bem, imagino então que me chamaram aqui para que seja feito algum pedido de desculpas certo? Não se preocupem, pois se as outras meninas se arrependerem e não voltarem a fazer isso, acredito que podemos só seguir a vida e fingir que nada aconteceu.


Hã… Senhor Freitas…


Pode me chamar de Samuel.


Certo, bem, não sei porque o senhor foi primeiro até sua filha, mas…


A ligação que recebi foi de que minha filha havia se envolvido em uma briga. Para mim, era óbvio que, antes de mais nada, eu precisava conferir se ela estava bem e ouvir dela sobre o que havia acontecido.


Ah, certo, mas, na verdade, ela foi a agressora e por isso chamamos os pais de todas as envolvidas e…


Espera um instante, senhora Nogueira. Quer dizer que a minha filha, que nunca teve sequer uma reclamação, em cada escola em que esteve, desde que começou sua vida escolar. Minha filha, que sempre se destacou pela forma como fazia amizade fácil e, devo acrescentar, sempre se posicionou para proteger seus colegas ou mesmo crianças menores em diversas ocasiões. Minha filha, vocês estão me dizendo, mesmo contrariando o que acabei de ouvir da boca dela, que, do mais completo nada, atacou três garotas que são, obviamente, muito maiores que ela e, outra vez eu destaco, fez isso completamente do nada. É isso mesmo?


Senhor Feitas eu…


É isso mesmo! — uma das mães ali presentes se levantou e, caso não tivesse sido segurada pelo marido, teria até mesmo encostado o dedo indicador no nariz de Samuel. — Essa menina é um pequeno demônio. Quase quebrou o nariz da minha filha e…


Então senhora diretora, como eu estava falando com a senhora. — a ênfase na palavra “senhora” serviu para calar a mãe reclamante por alguns instantes, enquanto Samuel nem lhe dirigira o olhar, parecendo nem ter notado a ameaça da mãe de uma das “agredidas”. — Imagino que vocês tenham alguma prova da “agressão” da minha filha. Espero, ao menos isso, uma vez que que tive que sair do meu serviço, no primeiro dia na verdade, para vir até aqui resolver esse problema? Vocês tem isso, não né?


Sobre algum tipo de prova, bem, nós…


Deixa eu adivinhar, não tem nenhuma prova, além da palavra das três mocinhas ali, certo? Posso, pelo menos, ver a gravação das câmaras no horário do ocorrido? Acredito que possamos ver isso, pelo menos, correto? Vocês tem câmeras, não é?


Bem, na verdade, se pedirmos algo assim a empresa vai entregar só daqui a algumas semanas e…


Não seja por isso. Se vocês me chamaram por volta das dez e meia, digamos que a “agressão” tenha ocorrido lá pelas dez. Com licença.


Sem dar tempo para que a diretora dissesse algo, Samuel saiu da sala, voltando ao corredor, onde sua filha, que ouvia a forma como seu pai a defendia, sabia que os pais das meninas sentadas à sua frente, não faziam ideia de com quem estavam se metendo.


Oi. É da GVS Segurança? Meu nome é Samuel Freitas e trabalho na Ordem e Proteção. Sim. Isso mesmo. Esse Samuel mesmo. Eu estou falando com quem? Ah, sim, Jaqueline, por favor, me passe para o senhor Gustavo. Sim, ele mesmo, o presidente da empresa. Eu espero.


Nem um minuto se passou e ele voltou a falar no celular, a tensão, que os pais das meninas que acusaram sua filha sentiam, ia aumentando cada vez mais.


Senhor Gustavo! Sim, sim, sou eu. Claro que precisamos almoçar. Marcaremos para essa semana ainda. Perfeito, mas o senhor sabe que não liguei apenas para trocar amenidades não é? Estou em uma situação chata aqui no colégio da minha filha. Sim, o Humberto Garcia Ramos. São vocês que cuidam aqui da segurança correto?


Samuel passou por alto a situação, interrompendo a conversa apenas para perguntar à filha onde ela estava quando aconteceu a briga, informação quer logo foi passada para o dono da empresa de segurança que, ao ficar a par da situação pediu uns minutos e encerrou a ligação.


Fica tranquila filha, já vou resolver tudo.


Ele então se aproximou de Mariana e segurou sua mão, num gesto que passava segurança e confiança, algo que a menina já estava acostumada, uma vez que, mesmo antes de se tornar órfã de mãe, ela sempre contou com o apoio do pai para tudo.


Samuel manteve seus olhos no celular e assim que seu pedido chegou, mal se passou um minuto e ele voltou para a diretoria.


Posso usar seu computador senhora diretora?


Fazia muito tempo que Fátima Nogueira não se envolvia em uma situação como aquela e como as famílias daquelas meninas eram algumas das mais ricas da escola, normalmente, se elas se envolvessem em confusão, bastava a presença dos responsáveis para tudo ser resolvido de forma rápida, mas agora estava ali alguém diferente, alguém que não parecia disposto a baixar a cabeça.


E logo no primeiro dia de aula, pensou a diretora com desânimo crescente, já imaginando como seria o restante do ano.


Samuel, alheio às preocupações dela, abriu seu e-mail no computador da escola e logo a tela foi virada para os pais das meninas.


Como não há som, farei questão de narrar tudo para os senhores. Como podem ver, aqui estão minha filha e outras quatro meninas, acredito que a mocinha logo ao lado dela é a Daniela Limeira Choi, filha de uma amiga da nossa família e imagino que ela está apresentando minha filha às demais meninas do grupo de amigos da Daniela e, opa, olha só, as “agredidas” chegaram. Vamos ver quando será o momento em que minha filha parte para a porrada e, nossa, não sei quanto a vocês, mas eu manjo um pouco de leitura labial e, nossa, já estive no exército e as palavras que suas filhas estão falando para as meninas deixariam alguns militares com vergonha, nossa, olha só, agora uma das doces e pobres garotas, acho que ela tem toda a pinta de líder, deu um tapa no rosto da amiga da minha filha, ah, puxa, e então a “agressora” apenas se colocou na frente da amiga, pretendendo apenas defendê-la. Não acredito, mas olhem só, as duas outras “anjinhas”, que me parecem mais “capanguinhas” seguraram minha filha para que a “anja mor” acertasse um tapa na cara minha filha e, agora sim, somente após isso ela resolveu usar as artes marciais que tem praticado a tempos, apenas após ser agredida, ela derrubou as três pobres e doces garotinhas. Uau. Os professores dela ficariam orgulhosos.


Ele encerrou o vídeo, cruzou os braços diante do corpo, sustentou o olhar dos poucos pais que ainda tentavam manter a compostura, mesmo que a mentira tivesse acabado de ruir por completo, para só então se voltar para a diretora.


Agora, como eu disse ao chegar aqui, imagino então que me chamaram para que alguém estenda a minha filha, principalmente, ou a mim mesmo, um pedido de desculpas certo? Quando escolhi essa escola imaginei que minha filha estaria em segurança, mas estou revendo meus conceitos, depois de uma situação como essa, onde minha filha foi agredida ao proteger outras crianças de três meninas, praticamente adolescentes que, acredito, não deve ser a primeira vez em que se envolvem em situações assim. Se algo desse nível for corriqueiro…


Senhor Freitas, peço desculpas e posso garantir que farei de tudo para que algo assim não se repita…


Seu celular tocou e, mais uma vez, Samuel ergueu o dedo indicador, pedindo licença e ignorando a frase da diretora, algo que ele jamais faria se não fosse uma situação como aquela, com sua filha envolvida em uma acusação falsa o que, por si só, era mais que suficiente para deixá-lo furioso, por isso mesmo, naquele momento, a última coisa que passava por sua mente era ser educado.


Alô. Sim, sou Samuel Freitas. Como é que é? Minha mãe? O que? Já estou a caminho.


Ele então se voltou para a diretora Fátima.


Hoje é o dia das emergências. Terminamos aqui senhora?


Hã. Sim. Como eu dizia, farei de tudo para que tal situação não se repita.


Perfeito. Agora preciso mesmo ir.


A vovó tá bem pai? Eu ouvi você falando dela no celular.


Nada para se preocupar, meu anjo. Eu volto pra te buscar na hora da saída beleza? Volta pra aula e presta atenção. Ela pode voltar pra classe certo, diretora?


Fátima, ainda abismada com o modo como Samuel reagiu e resolveu aquela situação, apenas balançou a cabeça positivamente, vendo pai e filha se afastando, restando a ela apenas se preparar para a difícil conversa que teria com três pais e três mães cujas atitudes erradas das filhas lhe fora esfregada nas caras e que, com certeza, não reagiriam bem ao que aconteceria a partir dali.


Alheio à conversa que a diretora começaria com os demais pais que permaneceram na escola, em poucos minutos, dando graças pelo trânsito sossegado daquela hora da manhã, Samuel logo entrava no quinto distrito policial de Lázaro, procurando desesperadamente por sua mãe.


Ah, meu filho, não me diga que realmente ligaram para você?


Antes de falar alguma coisa Samuel abraçou dona Olga com força, procurando ferimentos, aparentes ou não, antes de dar atenção ao policial que se aproximava.


Calma Sam. A mama Olga tá bem! Você precisava ver o cara que ela acertou.


Thiago? Você ainda tá por aqui? Pensei que já teria virado juiz ou algo assim a uma altura dessas e… Ah, esquece… O você disse “o cara que ela acertou”?


Vem cá, deixa eu te servir um café, preto e sem açúcar né? Tu vai curtir esse aqui, parece tinta.


Samuel percebeu na hora que a comparação era certeira, ao sentir o líquido quente descer pela sua garganta, o que resultou em pequenos pontos de lágrimas nos cantos dos olhos, mas logo deixou clara sua impaciência ao voltar a atenção ao antigo colega de profissão e amigo de infância, com uma expressão de impaciência estampada no rosto.


Ok, ok, ok… Assim que vi a mama Olga entrando aqui na delegacia eu assumi o caso. Foi o seguinte, a doutora Letícia Mattos saiu do hospital acompanhada de Felipe Henrique, até onde apuramos um ex namorado abusivo que, tendo praticamente arrastado a doutora para um dos cantos do estacionamento, segundo palavras dele, que falou com a gente só depois de acordar, o cara só queria conversar, mas seguiu-se uma discussão onde ele se preparou para acertar a doutora com um soco, mas não conseguiu.


Deixa eu adivinhar. Minha mãe apareceu certo?


Sim. A mama Olga, percebendo que algo estava errado, tratou de seguir os dois e conseguiu se aproximar sem ser notada. Quando o babaca lá levantou o punho ela não pensou duas vezes.


Samuel se virou para a mãe e ela apenas ergueu a bengala que levava junto de si nos últimos meses, conforme ia apresentando melhoras significativas em sua condição clínica, mostrando que uma das pontas estava quebrada.


Acho que bati forte demais.


E exibiu um imenso sorriso de satisfação.


Restou a Samuel rir também, para só então se voltar para o amigo policial.


E temos que fazer mais alguma coisa aqui Thiago?


Não. Já colhi o depoimento da mama Olga e da doutora Mattos. O tal Felipe vai ficar um tempo de molho aqui até o advogado da família aparecer, mas como ele já tem umas passagens anteriores, por agressão e outras “coisinhas”, acho que vamos conseguir a estadia dele por alguns dias a mais.


Filho, volta pro trabalho que eu vou direto para casa preparar um almoço e…


Com licença?


Já na rua, diante da delegacia, Samuel ia empurrando a cadeira de sua mãe e estava prestes a colocá-la no carro, quando foram abordados por uma pessoa cheia de vergonha.


Doutora Mattos! Está tudo bem? Samuel essa é a fisio que me atendeu hoje.


Eu queria agradecer mais uma vez à senhora e pedir desculpas por tê-la envolvido nos meus problemas. Eu sinto muito.


Doutora Mattos, eu sou Samuel, filho da dona Olga aqui e, tendo ela na minha vida, a mais de quarenta anos diga-se de passagem, posso te tranquilizar, pois ia ser necessário mais que um mauricinho babaca pra fazer frente as porradas dela.


Ainda assim eu agradeço muito. Sexta feira a senhora volta não é dona Olga?


Pode contar com isso doutora e não se preocupe, eu vou estar com uma bangala nova. Me aguarde.


Assim que a médica se afastou sorrindo, sentindo-se leve como a muito tempo não sentia, era como se finalmente tivesse superado o ex, mãe e filho ficavam para trás.


Já, já a Mari sai da escola. Vamos em casa deixar seu carro e buscamos ela juntos, quero levar as duas para almoçar fora.


Com uma expressão de quem sabia que lá vinha bronca do filho, mas sem outra escolha, dona Olga apenas concordou e, no horário da saída da escola, ambos estavam lá aguardando Mariana que, vindo com Danielle, não disfarçou a surpresa ao ver o pai e a avó a esperando.


Ai, ai, ai, nem quero ver. Lá vem bronca pesada. Foi legal de reencontrar amiga. A vida foi boa.


Enquanto Mari se afastava, Dani riu do exagero da amiga e foi para a quadra da escola, aguardar que sua mãe a viesse buscar, ansiosa para contar a novidade sobre quem estava de volta à cidade.


A menina sabia bem que sua mãe se interessaria muito em saber todos os detalhes daquele retorno.


Enquanto isso, alguns momentos mais tarde, Samuel estava sentado com sua família em um restaurante, todos aguardando em silêncio pelos pratos pedidos, quando ele soltou um longo suspiro.


Vou ser direto. O que vocês duas fizeram hoje foi imprudente, perigoso e poderia ter acabado muito mal. — sem uma resposta, ambas sabiam que haviam deixado Samuel muito preocupado, continuaram caladas. — Mas não tem jeito. Sou seu filho e sei muito bem como fui criado e filha, sou seu pai e sei muito bem como eu venho te criando, por isso, não tem como eu deixar mais claro o quanto estou orgulhoso de vocês duas.


Nesse momento tanto dona Olga quanto Mariana começaram a exibir sorrisos imensos.


Vocês viram inocentes em perigo e não pensaram duas vezes em partir para defendê-los e eu tenho consciência de que não poderia nem pensar em lhes proibir de fazer o que é certo. O que posso pedir, na verdade, eu até imploro para vocês duas é: Tenham cuidado. Não posso nem sequer imaginar perder qualquer uma de vocês.


A fala ficou embargada ao final da frase e lágrimas insistiam em surgir nos cantos dos olhos do homem que, ainda naquela manhã havia enfrentado dois homens armados para proteger uma criança.


Avó e neta se moveram ao mesmo tempo, Mariana foi mais rápida e enlaçou o pescoço do pai num abraço apertado, enquanto dona Olga logo estava ao lado de ambos, tomando as mãos do filho nas suas.


Não se preocupe meu bem. Eu e a Mari não vamos a lugar nenhum. Estamos juntos e permaneceremos assim até onde Deus permitir.


Tanto fregueses quantos os funcionários do restaurante, mesmo que distantes da emocionante cena, puderam perceber que algo importante acontecia ali, por isso o garçom demorou um pouco mais para levar o pedido até a mesa daquela família, para que pudessem finalmente almoçar, conversando amenidades até dar a hora de Samuel partir.


Ele voltou para a Agência Ordem e Proteção enquanto dona Olga levou Mariana para casa, os três deram graças pela tarde tranquila e, quanto foram dormir, em seus íntimos, torciam para que o dia seguinte fosse mais sossegado.


Na alta madrugada, quem não conseguia dormir de jeito nenhum era o senhor Henrique Fontana que, na cobertura do prédio Guardião Celeste, se mantinha sentado numa confortável poltrona, olhando as luzes da cidade, enquanto em sua mão direita os cubos de gelo do uísque já se encontravam quase que totalmente derretidos, o que deixava a pele da mão dele dormente por causa do frio.


Sua atenção foi chamada para o celular após o som de mensagem ecoar pelo escritório vazio.


Então a família está de volta? Aproveite pois isso não vai durar, velho amigo.”


Henrique levantou cheio de ódio, jogando o copo contra uma parede, sem ligar para a sujeira, enquanto segurava o aparelho com mãos trêmulas, mal conseguindo balbuciar poucas palavras, enquanto olhava para a foto da filha, com a neta recém-nascida no colo, que ele mantinha sobre sua escrivaninha.


Não dessa vez seu desgraçado. Não dessa vez.


Apenas o começo.







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2 Comentários

  1. Cara, que texto gostoso de se ler, muito bom mesmo! Sendo sincero como sempre sou, a temática mais "pé no chão", não me cativa, eu não consigo ler o texto com a mesma satisfação, sabendo que não teremos raios, poderes, vôos, magias, criaturas fantásticas e afins, mas... Essa sensação durou até chamarem ele pra ir na escola, e desapareceu quando eu li a parte da dona Olga, meu amigo, dona Olga ganhou o texto assim, de cara, o simples movimento da bengala quebrada e ela sorrindo "acho que bati forte demais", me removeu completamente da cena "história pé no chão"! Assim, a saga pelo que entendi se passará em torno da investigação do assassino, é basicamente uma história policial de humanos reais, isso tava me tirando a satisfação, mas agora, a gente tem a ação da Mari, que foi fenomenal e poderosa, tornando ela uma personagem, humana mas ainda assim com muito a apresentar, como também a capacidade de resolver as coisas que Samuel demonstrou no momento de conseguir as imagens e resolver o caso, lavando a alma de muita gente, de muita série, de muito filme, de muito anime, onde FINALMENTE quem fez errado foi desmascarado no ato, porém, nada se compara a dona Olga, ela me lembra muito, mas muito mesmo, a dona Anésia, acho que de Will Leite, não pelo mau humor, mas porque ela impõe respeito sem fazer qualquer esforço, e isso ficou maravilhosamente bom de se ler! Após esse primeiro episódio completo, eu já me sinto mais inteirado da situação, eu já tenho apreço pelos personagens, principalmente a Mari e a Olga, ambas são uma superação por suas condições, o Samuel é mais o correto dele ser assim mesmo, então as duas empolgam (e divertem muito, eu ri lotes da bengala quebrada), mas como fizesse nesse episódio, tenho certeza que apesar da história pé no chão, tu vai fazer coisas nesses próximos trabalhos, sem perder o foco, que vai com certeza me cativar a curtir a trama, sem associar a Law e Order, Agatha Christie e outras mídias no mesmo estilo, porque só aqui, já fiquei maravilhado com as duas principalmente! Meus parabéns meu amigo, adorei pra caramba, mandou muito bem, que todos tivessem uma dona Olga pra proteger a gente! Parabéns!!

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    1. Meu grande e querido amigo. Que comentário! Agradeço ainda mais pela leitura, pois sei que, como você mesmo citou, esse tipo de história não é o que mais te agrada e ver que ainda assim, disponibilizou tempo para ler e para fazer esse comentário extremamente incentivador, é algo que não tem preço.
      Eu resolvi fazer a introdução do Samuel com um clima de filmes de ação no estilo do "O Protetor", estrelado por Denzel Washington, para mostrar como uma história mais pé no chão poderia ser também empolgante, do mesmo modo que tentei passar, pelo trechos da Mari e da dona Olga, situações que, infelizmente são cortidianas, como o bullying e os maus tratos às mulheres e mostar que, às vezes, ser uma pessoa que se posiciona, que não fecha os olhos, que decide ajudar a quem, às vezes, nem sabe que está precisando de ajuda, às vezes, ser essa pessoa faz a diferença.
      Se o projeto for realmente prá frente, gerando um livro, mesmo que curto, o foco será sobre o responsável pela morte do pai e da esposa do Samuel, mas tanto a Mari, quanto a dona Olga terão arcos paralelos, cada um seguindo uma linha mais voltada até para suas idades e os problemas que podem surgir.
      Confesso que me deu uma grande satisfação escrever a cena do Samuel com a diretora e os pais das "anjinhas", tanto que foi a que mais demorei para escrever. A da dona Olga ofi uma grata surpresa ter te agradado tanto. Não esperava e fiquei muito feliz.
      Deixo aqui ainda uma reflexão, de como foi satisfatório sair da minha zona de conforto, no que diz respeito a temática de escrita e o quanto me esforcei para deixar os personagens interessantes, tanto quanto os temas abordados e, o que ainda pretendo fazer mais, tentar desenvolver essa cidade.
      Agradeço de novo, de coração, pela leitura, comentário incrível, a força e parceria de sempre.
      Valeu mesmo!

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