Terra Zenith - Resgate, a série #8

 


Quando é uma mão aberta é mais forte que um punho fechado.

Olá leitores, mais um período meio longo entre a edição passada e essa, mas acredito que a espera vai valer a pena.

Aqui tentei mostrar mais um pouco do que faz o Resgate ser único. Espero que tenha conseguido.

Nessa edição estreiam os novos Logos e capa, com as artes atualizadas do Resgate e de outros personagens, que também estão na galeria de imagens.

Portanto, sem mais delongas... Boa leitura.


Anteriormente em Terra Zenith – Resgate…


Graças a um estranho fenômeno, ocorrido na aurora da humanidade, indivíduos com poderes extraordinários surgiram, alguns usando-os para o bem, outros para o mal, sendo chamados de heróis e vilões.


Esses seres ficaram conhecidos como Zeniths.


Resgate é um herói brasileiro que foca seus esforços para ajudar a salvar inocentes, muitas vezes auxiliando bombeiros, em detrimento de enfrentar vilões, o que muitas vezes o faz ser subestimado por aqueles que entram em seu caminho.


Os Superiores são heróis reunidos em uma equipe norte-americana que pretende criar uma legislação que regule as ações dos Zeniths do mundo e, em busca de apoio, realizou um coquetel com vários representantes de países da América Latina em São Paulo.


Levianamente eles trouxeram junto a Eternal Justice, uma imensa prisão flutuante, criada para conter criminosos Zenith, cujo controle foi tomado pelos vilões, pouco depois de Tenebris, o servo de Expurgo, entrar em contato com Greatmaster.


A prisão estava em rota de colisão com São Paulo, o que poderia se tornar uma imensa tragédia e, enquanto os heróis americanos se encontravam paralisados, outro grupo assumiu a situação.


A Brigada Extrema é um grupo formado por Resgate, Trilha, Expansão e outros heróis, todos reunidos para agir sempre com a segurança de inocentes acima de tudo o mais.


Com uma ação extremamente bem coordenada pelo Expansão, a Brigada conseguiu controlar a situação, com casualidades zero e mantendo a cidade de São Paulo em segurança, até que os Superiores se retirassem levando sua prisão.


Sem que os heróis brasileiros soubessem, um dos vilões responsáveis pelo motim conseguiu escapar e agora estava junto com aquele que orquestrou todo o incidente.

A vida segue e após uma missão de salvamento de crianças que estavam sendo vítimas de tráfico, Resgate terá pela frente mais uma importante missão, ainda sem saber do mal que observa das sombras.




Terra Zenith.

Resgate #8.

Estendendo a mão.


A muito tempo Jonas não sentia um nervosismo como aquele.


Nem mesmo quando vestiu o uniforme de Resgate pela primeira vez.


O que era normal, pois finalmente ele e Verônica haviam decidido oficializar seu relacionamento, marcando um jantar na casa dele, onde reuniriam suas famílias.


Com um potencial tão imenso para o desastre, Jonas não conseguia relaxar.


E se seus filhos não gostassem da mulher que ele escolhera?


Ou se a avó de Verônica não fosse com a cara dele?


Jonas balançou a cabeça violentamente, tentando afastar suas dúvidas, enquanto tentava prestar atenção na macarronada que estava preparando, ao mesmo tempo que lidava com a excitação dos filhos por finalmente conhecerem a namorada do pai.


Deixem o pai de vocês em paz um pouco e vão colocar as roupas que eu deixei separadas. Tão nas camas de vocês.


Valeu mesmo Amanda, agora eu acho que consigo terminar.


Claro Jonas. Eu vou me arrumar também.


Se percebeu a certa frieza da garota com quem morava a anos, Jonas não deu nenhum sinal, uma vez que precisava seguir preparando o jantar.


Exatamente às oito da noite o porteiro do prédio avisou da chegada das visitas e poucos instantes depois, praticamente precisando lutar com duas crianças empolgadas e animadas, a porta do apartamento se abriu.


Oi Jonas. — o constrangimento e a vergonha eram palpáveis, quando Verônica cumprimentou seu namorado, ambos sem saber ao certo como se portar. — Hã… Essa é minha avó, dona Otacília e…


Pelo amor de Deus menina! Se você vai só ficar olhando pro bonitão e babando, me deixa, pelo menos, entrar e achar um lugar para sentar.


O casal sentiu suas faces se aquecerem, conforme a senhora abraçava Jonas e dava alguns passos para dentro do apartamento, sendo seu avanço imediatamente barrado pelos gêmeos, que mantinhas os punhos fechados em suas cinturas e tentavam emular o rosto sério do pai, quando ele analisava suas notas na escola.


Vovó!


Mal se passaram dez segundos até Marina e Renan correrem e abraçarem dona Otacília pela cintura, que correspondeu imediatamente ao carinho recebido, sendo literalmente arrastada até o quarto das crianças, que disputavam por sua atenção, uma querendo se destacar mais que a outra.


Desculpa pelos monstrinhos Vê.


Somente agora Jonas dava um rápido beijo na namorada, passado o estranhamento inicial da situação, quando foram interrompidos por alguém pigarreando às costas dele.


Ah! Sim, Verônica, essa é a Amanda. Amanda, Verônica.


Prazer.


As duas belas garotas trocaram um simples e educado apertar de mãos, mas em seus íntimos, ambas sabiam, uma guerra havia sido declarada.


Vem comigo Vê, vou te mostrar o apartamento. Você precisa conferir o jantar né Jonas?


Mais que depressa, parecendo não notar os sentimentos conflitantes das garotas, ele correu até a cozinha, a tempo de salvar a massa da macarronada de ficar borrachuda, conseguindo assim, em poucos minutos, deixar tudo pronto e logo todos estava à mesa da sala de jantar, os gêmeos sentados cada um de um dos lados da senhora Otacília, enquanto o próprio Jonas se encontrava entre Amanda e Verônica.


Sem aviso algum Renan encarou a namorada do pai e, com uma expressão exageradamente séria, quase matou alguns dos adultos à mesa.


Verônica? Posso perguntar uma coisa?


Claro lindo. O que você quer saber?


É que eu fiz uma aposta com a Marina e… Você é a Trilha não é?


Primeiro o casal e Amanda engasgaram, tossiram e, quando se recuperaram tomando um bom gole de água, um silêncio pesado se instaurou e então Jonas foi o primeiro a reagir.


Renan! Da onde você tirou isso e… E-eu…


Sem saber o que dizer, lembrando que Verônica havia avisado que a avó não sabia da identidade heroica dela, era o tipo de desastre que Jonas queria evitar.


Foi então que, repentinamente, a velha senhora soltou uma longa gargalhada, abraçando tanto Renan quanto Marina, deixando os demais adultos atônitos e ainda mais sem reação.


Por favor Jonas, não briga com o seu anjinho. Quando fiquei sozinha com eles eu pedi para que fizessem essa pergunta, achei que seria uma boa maneira de revelar para essa minha neta que eu não sou cega. Nem burra.


Mais uma gargalhada, agora soltando as crianças e tomando as mãos de sua neta nas suas, a senhora Otacília fixou o olhar nela.


Minha querida. Sei que seus pais, Deus os tenham, estão muito orgulhosos de você, mas venhamos e convenhamos, eu te conheço desde que você nasceu. Ia precisar de muito mais para continuar escondendo esse seu segredo de mim, mas não queria transformar essa revelação em um tipo de confronto e quando você me falou desse jantar, para me apresentar o seu namorado, que imaginei ser outro herói, já aproveitei. Desculpem pelo susto.


Eu gostei da vovó!


Os gêmeos falaram em uníssono, o que acabou por eliminar qualquer desconforto que aquela conversa poderia tomar e o restante do jantar transcorreu de forma calma e agradável.


Bom, agora que sei que minha avó sabe de tudo, vou usar o teleporte da Brigada para voltar pra casa. Assim economizo no Uber.


Já na rua, chegara a horado casal se despedir.


Mais um pouco de grude e eu achei que ia ter que pedir para você e sua avó dormirem aqui. Fazia tempo que o Renan e a Marina não se apegavam tão rápido assim.


A dona Otacília tem esse poder, às vezes eu chego a achar que ela é uma zenith em segredo.


Após um riso trocado, ambos olharam fixamente nos olhos um do outro para, logo em seguida trocarem um beijo apaixonado, encerrando de forma agradável aquele encontro que, para ambos, era algo de extrema importância.


Um momento de paz, sem que sequer imaginassem, como é de se esperar quando as pessoas se encontram totalmente felizes, seria apenas a calmaria antecedendo uma terrível tempestade.


Tempestade essa que se refletia no par de olhos cujo dono, que observara todo o jantar e que somente ao ver Verônica e sua avó se afastando do prédio onde Jonas vivia, resolveu se afastar.


Seus planos, com certeza, renderiam frutos em breve e ele apenas precisaria que aquele que acreditava ser seu parceiro e líder, continuasse cego a seus reais objetivos.


Jonas chegou a olhar por cima do ombro, um arrepio estranho havia percorrido sua espinha, mas ao voltar seu olhar para o alto dos prédios próximos, até mesmo usando sua visão espiritual, ele não viu nada de ameaçador, por isso, afastando qualquer pensamento negativo, resolveu voltar para casa e, aproveitando o restante da noite de folga, foi cedo para a cama.


Na manhã seguinte, na Escola Estadual Santana Chagas, Thomas, um jovem de dezesseis anos, se mantinha escondido em uma das cabines do banheiro, sentado no vaso sanitário, erguendo as pernas e torcendo para que assim ele não fosse encontrado.


Doce ilusão.


E aí bafo de capeta! Tá por aqui, como sempre?


Cinco outros jovens entraram no banheiro com estardalhaço, fazendo com que os alunos que estavam passando ali por perto se dispersassem e fossem correndo para suas salas.


O líder do grupo de agressores se chamava Diego e foi abrindo cada cabine com um chute, aumentando gradativamente o terror que congelava Thomas, fazendo com que só restasse a ele rezar para que alguém viesse para ajudar.


Mais uma vez, doce ilusão.


Te achei!


Diego exibia uma expressão maníaca quando finalmente abriu a porta com violência, agarrando sua vítima pelo colarinho da camiseta, puxando-o para fora e o entregando a seus capangas.


Segurem ele, que preciso ir rapidinho aqui no vaso.


Após longos minutos repletos de sons desagradáveis, o agressor saiu da cabine do banheiro e, quanto os outros continuavam a imobilizar Thomas, ele segurou o pescoço do garoto.


Cê parece tá com calor meu amigão! Acho que é hora de esfriar a cabeça! Me ajuda aqui cambada.


A tortura durou alguns minutos, mas, para a vítima, pareceu uma eternidade, ainda mais que, por causa do medo, ele nem conseguiu usar seu simples e fraco dom zenith, de conseguir criar e exalar um vapor esverdeado e malcheiroso.


Thomas então foi largado no chão do banheiro, engasgando e cuspindo, enquanto os agressores foram se afastando, rindo alto e prometendo que o intervalo seria tão “divertido” quanto aquele início das aulas.


Com dificuldade ele se ergueu e fixou o olhar em seu reflexo no espelho, um ódio crescente tomando suas entranhas, chegando ao ponto da quebra da barreira que o impedia de cometer uma loucura.


Abriu sua mochila e tirou de lá um pequeno envelope, de onde pegou algo que lembrava uma pequenina placa de circuitos, com dezenas de micro-agulhas em uma das faces, justamente a que ele colocou contra a pele nua de seu antebraço direito, perto do pulso.


No instante seguinte o inferno explodiu na escola Santana Chagas.


Estou chegando no local Expansão.


Resgate, em meio à característica névoa de seus poderes, ia descendo na rua dianteira da escola, onde dezenas de ambulâncias se encontravam atendendo crianças feridas ou em choque, devido à situação desesperadora pela qual passaram.


A situação essa que fora explicada em poucas palavras, o policial que fora encarregado da ocorrência precisava dar atenção e ordens a seus homens, bem como aos bombeiros e socorristas que estavam de prontidão no lado de fora da escola.


Um dos banheiros masculinos pareceu explodir cerca de uma hora atrás, espalhando pelos corredores uma névoa esverdeada e altamente venenosa e o jovem, claramente exibindo poderes zeniths, logo estava andando pelos corredores, a cada passo que dava, por causa de seu poder, que nunca havia sido nada que se destacasse, agora parecia estar tão elevado que disparava jorros de veneno vez ou outra.


Algo espontâneo e que parecia totalmente fora do controle do garoto.


Thomas Henrique de Oliveira, como fora identificado, agora estava no terceiro andar da escola, aparentemente mantendo como reféns um grupo que praticava bullyng contra ele.


Então a situação ficou aparentando algo como um inicial descontrole dos poderes, escalando rápido para uma retribuição, o tipo de situação volátil onde qualquer ação impensada poderia terminar em tragédia.


Uma pessoa assustada e sem controle pede por ajuda, portanto é mais fácil de lidar, agora, alguém em busca de vingança, tomada por ódio, poderia não dar ouvidos à razão.


Era com isso que o Resgate precisava lidar.


E rápido.


Certo. Fiquem a postos, deixem os socorristas em alerta. O terreno da escola não possui muitas casas ao redor, portanto a evacuação da área não deve demorar, façam isso enquanto eu entro.


O que vai fazer com o descontrolado?


O que você acha? Ele é apenas um adolescente, pior, um adolescente que deve ter sofrido demais para chegar a esse ponto de desespero.


O policial responsável por aquela ocorrência emudeceu, tamanha a determinação nas palavras do herói.


Vou fazer o que preciso, ou seja, o que eu tenho que fazer é lhe estender a mão e fazer o que sempre faço. Tentar, não, tentar não. Garantir que todos, todos mesmo, saiam dessa escola com vida.


E então ele entrou na escola, sua névoa se espalhando, conforme ajudava crianças e adolescentes, perdidos e apavorados a sair do local, alcançando o mais rápido possível o local onde estavam o agressor e seus reféns.


Olá. Foi daqui que pediram uma pequena ajuda?


A frase fez o rapaz se sobressaltar, o que resultou num leve aumento na névoa esverdeada que flutuava ao seu redor, pareceu que ele havia percebido o tamanho da encrenca em que se metera, mas em seu íntimo ele sabia que provavelmente nunca mais poderia ter uma chance como aquela.


É Thomas não é? Por favor garoto, preciso que você desative seu poder e venha comigo. Vamos encerrar tudo por aqui, enquanto ninguém se feriu de verdade.


Sem resposta, o jovem Thomas ainda permanecia com o olhar fixo dos seus agressores.


Thomas, por favor, se controle e se afaste desses idiotas. Não é assim que as coisas vão se resolver.


Nada ainda.


O punho direito do herói se fechou e começou a tremer levemente, amaldiçoando os hábitos maldosos dos garotos que os levaram até aquele momento.


Se fosse realmente necessário ele derrubaria Thomas, antes que alguém se ferisse seriamente, mas Resgate não queria fazer aquilo, graças à empatia que sentia pelo que, obviamente, o jovem havia passado.


Thomas…


O garoto primeiro relaxou os ombros, ao seu redor a névoa de veneno foi se desfazendo aos poucos, enquanto seu corpo começava a tremer e soluços quase inaudíveis chegavam aos ouvidos do herói, que permanecia ali, à disposição para quando fosse necessário.


Ele se aproximou e, assim que tocou o ombro do garoto, o mesmo se voltou para ele e o abraçou, agora chorando copiosamente.


E-eu não queria… Mas eles nunca m-me deixavam em paz e…


Nenhuma palavra foi necessária, o herói sabia o quão grande era a dor que Thomas sentia, por isso apenas retribuiu o abraço.


Horas mais tarde Jonas, ainda com o traje de Resgate, mas sem seu capacete, conversava com Altair sobre os acontecimentos daquela manhã.


Pode ficar tranquilo amigo, o garoto vai receber todo o apoio necessário para se recuperar totalmente.


Acho que será necessário tentarmos bolar algo para evitar o crescimento recente de bullying nas escolas, a fim de que não ocorram outros casos de jovens zeniths perdendo o pouco controle que tem sobre seus poderes nesse estado inicial.


Nem me lembre disso, as dores de cabeça que senti quando meus poderes se manifestaram, nunca mais quero sentir algo igual.


Enquanto os heróis continuavam a tratar de outros assuntos triviais, não muito longe dali, na Rua do Tormento, um servo sombrio seguia tendo dificuldades em conter a mais recente criação de seu mestre.


A criatura continuava a se debater no fosso que fora construído exatamente para contê-la, chegando a causar pequenos tremores que começavam no porão ameaçando afetar até as estruturas da terceira casa que fora ocupada pelos vilões.


Mestre, o Fractal continua descontrolado. Depois que ter experimentado a carne daqueles moradores que rua que o seu… Aliado… Trouxe, agora ele fica em frenesi cada vez que sente fome.


Isso não é problema algum. O que mais tem nessa cidade e em várias outras, são pessoas de quem ninguém vai sentir falta. Preciso mesmo te mandar conseguir mais “comida”?


Ao estender a mão direita na direção do inquieto monstro, o mesmo começou a exalar o que parecia ser uma névoa sombria, flutuando ao seu redor, que sumiu quando Expurgo fechou o punho.


No mesmo instante o monstro se acalmou e caiu num sono profundo, finalmente parando de tensionar as correntes que o prendiam e só então o vilão se voltou para o servo, que flutuava um pouco atrás dele, paralisado pela demonstração de poder.


Não pretendo falar mais nada.


Perdão mestre! Perdão! Já estou indo.


Só então Tenebris se teleportou, deixando para trás um odor forte e pútrido, como rastro de sua partida, enquanto Expurgo lançava um último olhar para sua nova obra, um pouco antes de finalmente sair do porão.


Em breve… Será sua vez, meu filho.





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