Quando uma preparação é necessária.
Após contar sua história para amigos e parentes uma nova ameaça surge, sepeparando para usar quem é mais caro para o necromante.
Será que ele conseguirá proteger aqueles que mais ama?
Portanto, sem mais delongas... Boa leitura!
Anteriormente em Óbito Codex…
Matheus é um jovem que, ao saber das dificuldades pelas quais sua família estava passando, volta para o Brasil, depois de passar cinco anos viajando pelo mundo, numa jornada para, segundo ele, se preparar para alcançar seus objetivos.
O principal deles?
Enfrentar e vencer o Reverendo Salazar, líder máximo da Igreja da Luz Eterna, antes que o pior aconteça.
Matheus realizou sua vingança de forma brutal, garantindo que os traficantes responsáveis pelo ataque à escola de seu sobrinho nunca mais ameacem ninguém.
Após um momento tranquilo onde a professora se seu sobrinho ocupa um lugar especial no coração de Matheus, chega a hora de enfrentar a primeira Acólita do Reverendo Salazar, que termina sendo vencida.
Matheus compartilha com seus familiares, sua namorada e seu melhor amigo, a história de seu mundo natal e de como ele chegou até aquele momento, enfentando o Reverendo Salazar e seus servos.
Mas uma nova ameaça se avizinha.
Conexão Dimensional
Óbito Codex #09.
Surpresas.
Matheus caminhava pelas ruas do bairro, pretendendo ir até o restaurante de seus pais, apenas para ter certeza de que estavam bem, mas assim que sentiu uma presença seguindo-o, virou rapidamente em uma esquina e, ao ver a rua deserta, com um salto, alcançou o topo de um prédio residencial próximo.
— Você faz jus à sua reputação. Eu quase te perdi de vista.
O jovem necromante se virou rapidamente, na mão direita se agitavam os nanorrobôs responsáveis por criar suas espadas, conforme uma voz ressoou às suas costas.
— São poucos os que conseguem me acompanhar. Um dos acólitos do Salazar, creio eu.
— Culpado. Sou Kosen, a luz da velocidade. Muito prazer.
A mão estendida ficou assim durante alguns instantes, mas logo ele a retirou, ao ficar bem claro que Matheus não o cumprimentaria.
— Certo, certo, imagino que está pronto para acionar a sua armadura e tentar me cortar em dois, mas, veja bem, eu evitaria isso no momento, sabe?
— Aposto que você tem um bom motivo e, falador como parece, deve estar doido para me contar.
Uma risada alta e sincera, daquelas que as pessoas soltam ao ouvir a melhor piada de suas vidas, foi a resposta que começava a deixar Matheus cada vez mais irritado com o novo inimigo.
— Você é, de fato, muito confiante, tanto quanto nosso mestre disse e tô vendo que sua mão ainda tá coçando para criar sua espada e me atacar, mas, mais uma vez, eu peço que reconsidere.
Assim que ele terminou de falar imagens feitas de luz surgiram ao seu redor, mostrando todos os membros da família de Matheus, bem como sua namorada e seu melhoramigo.
Perto de cada um deles, se destacavam pessoas aleatórias, com exceção de seu irmão, que aparecia tomando café com a ex mulher.
— Você é inteligente, tenho certeza de que já percebeu o que está acontecendo correto?
— O que você quer?
Era visível que, ao redor do jovem, uma névoa escura ia surgindo, mostrando que ele estava acionando seus poderes, talvez de forma inconsciente, conforme a raiva em seu coração ia rapidamente se intensificando, assumindo a forma de um ódio mortal por aquele que ousava ameaçar seus entes queridos.
— Antes de mais nada, só quero conversar. Vem, caminhe comigo.
Assim que disse isso algo parecido com um relâmpago percorreu o corpo de Kosen e, no instante seguinte, ele já se encontrava na calçada, olhando para cima e esperando Matheus.
— Para onde quer caminhar?
A voz veio das costas do jovem de feições orientais, que conseguiu esconder a surpresa pelo fato do necromante surgir atrás de si sem que ele percebesse, soltando outra longa gargalhada antes de começar a andar na direção de uma área onde havia um prédio em construção.
— É, de fato alguém de habilidades únicas Matheus, posso te chamar assim?
— Não me importo com os últimos desejos de alguém que está prestes a morrer.
— Uau! Realmente muito assustador. Chego a entender porque o reverendo tem tanto receio de suas capacidades e poder. Ele me disse que conheceu você no universo de onde ele veio, onde ele tentou levar a luz da esperança às massas e você foi quem mais tentou impedir seus planos. Consigo ver essa tenacidade em seus olhos.
Kosen se abraçou e tremeu o corpo de forma jocosa.
— Parece capaz de me matar só com esse olhar, mas acredite, precisaria de muito mais e, é claro, não podemos nos esquecer de seus entes queridos, que estão cercados pelos servos mais confiáveis da igreja, capazes de matar até crianças sem questionamentos, bastando apenas que eu fique alguns minutos sem dar um toque nesse aparelho comunicador, que estou mantendo seguro, para que eles entrem em ação.
— Você diz isso com tanto orgulho, que chega a dar nojo.
— Alguém com tamanha tenacidade poderia facilmente se tornar o maior e mais poderoso entre os acólitos da Igreja da Luz.
Não houve resposta e Kosen se virou para trás, a tempo de erguer um campo de energia, que o protegeu da escuridão que encobria o corpo do necromante e ameaçava tomar toda a rua que, por sorte, estava deserta àquela hora da manhã.
Mesmo usando todo seu poder, o acólito sentiu um pequeno corte se abrindo na maçã esquerda de seu rosto.
— Preciso lembrar de todos que estão em nossa mira, caso você faça algo estúpido? Tudo está preparado para que seus entes queridos sejam abatidos no mesmo instante em que meu coração parar de bater e eles pararem de receber meus sinais, por isso, acredite, minha saúde deveria estar no topo de suas preocupações.
A escuridão retraiu, mas o semblante de Matheus mostrava claramente que ele não deixaria o homem à sua frente vivo por muito mais tempo, por isso o acólito resolveu acelerar seu passo e logo ambos estavam invadindo o canteiro de obras de uma futura sede da Igreja da Luz.
Quando terminado o prédio serviria de abrigo para centenas de moradores de rua, uma das várias missões que o Reverendo Salazar havia informado à imprensa que tomaria para si.
Apenas mais uma das mentiras contadas por ele.
Tudo fachada para poder reunir um sem número de pessoas que, após um rápido e violento processo de “limpeza”, tanto da alma quanto do corpo, teriam sua luz absorvida pelo reverendo de forma a não levantar suspeitas, algo comum com pessoas sem família, ou qualquer outro para procurá-los.
— Estamos aqui.
Matheus não tinha vontade alguma de falar com Kosen, mas logo percebeu que a fala não havia sido dirigida a ele e sim a um homem que trajava uma armadura de corpo inteiro, branca, com detalhes azuis e dourados, cuja identidade logo se revelou, quando ele retirou o capacete.
— Talloth.
— Eu assumi a identidade de Reverendo Salazar nesse mundo. Quero que me chame dessa forma.
— Lembre-se dos reféns… — mais que depressa Kosen se colocou entre os velhos inimigos, ao perceber que Matheus voltava a fechar os punhos. — É só eu parar de mandar meu toques e…
— Já me falou isso antes, mas minha conversa não é com lacaios lambe botas. O que você quer… Talloth?
— Você sabe como me deixar irritado, mas já que as cartas estão todas comigo, vou deixar passar essa.
O falso religioso então deu mais dois passos na direção do necromante, mas logo deteve seu avanço, tendo um raro momento de discernimento e precaução de não se aproximar demais de seu inimigo.
— O que eu quero? Que você se ajoelhe, beije meus pés e se torne meu mais poderoso acólito. Imediatamente.
Matheus baixou a cabeça, o que fez seus inimigos sorrirem vitoriosos, mas tal sensação se foi rapidamente quando, sem qualquer aviso, nem mesmo um pequeno sinal de alguma intenção assassina que pudesse ser captada, o jovem acabou por realizar um movimento extremamente rápido.
Ele foi até onde estava o Reverendo Salazar e voltou ao seu ponto de partida numa fração de segundos.
Tanto o líder religioso quanto seu acólito só perceberam o que havia acontecido quando um longo corte pareceu explodir na face esquerda de Salazar, revelando o que parecia uma carne totalmente escura, de onde vazava uma energia luminosa em vez de sangue.
— Mestre!
Kosen se colocou na frente de Salazar, no exato instante em que Matheus voltava a avançar, empunhando sua espada, que só agora os inimigos conseguiam ver, uma vez que o necromante decidiu se mover normalmente.
— Confesso que achei que você não conseguiria segurar meu golpe, falou tanto que achei que só fosse papo.
— Você é louco? Ou liga tão pouco para o destino de seus entes queridos?
— Ah, é mesmo.
Dito isso Matheus deu um salto para trás, afastando-se alguns metros da atônita dupla de inimigos.
— Pode dar a ordem para que seus servos ataquem, mas saiba que, assim que você fizer isso, nada vai me impedir de acabar com você.
— Resolva isso logo Kosen… — conforme dizia isso, Salazar se teleportava, as palavras continuando a ressoar, frias como gelo, conforme ele desaparecia. — Não me decepcione.
— Pois bem… — nunca antes o acólito se sentiu tão acuado, o suor frio escorrendo-lhe pelas têmporas, conforme ele tentava analisar suas opções. — Diga adeus.
Ele levou a mão até um comunicador auricular, sem tirar os olhos de seu inimigo, temendo um ataque tão rápido como o que atingira o rosto de seu mestre, mas, surpreendentemente, Matheus nada fez para impedir que ele finalmente desse a ordem.
— Matem todos.
Os segundos se arrastavam, conforme o nervosismo de Kosen só aumentava, enquanto não recebia nenhuma confirmação das mortes dos entes queridos de Matheus, que permanecia parado, no rosto uma expressão impossível de ser lida.
Ele parecia… Entediado?
Quase dez minutos se passaram, quando Matheus apoiou sua espada no ombro, assumindo uma postura ainda mais relaxada, conforme se dirigia para o acólito à sua frente, já uma pilha de nervos pelo silêncio incômodo em seu comunicador.
— Quer que eu te ajude a ver o que aconteceu?
— Como a-assim?
Matheus nem se deu ao trabalho de responder, apenas criando um espaço de escuridão que tomou o chão abaixo de seus pés e se estendeu até onde estava Kosen, que viu abobalhado quando as trevas, parecendo estar vivas, se ergueram ao seu redor com movimentos fluídos.
Pouco a pouco foram se formando superfícies lisas e opacas, de formas retangulares, onde imagens começaram a se formar e Kosen reconheceu de imediato os servos que enviara para atacar os familiares de Matheus.
O acólito viu o momento em que seus agentes levaram as mãos aos próprios comunicadores e, após receber sua ordem, se moveram para cumpri-la.
Como sempre Thomas estavam com seus inseparáveis amigos, quando dois novos inspetores da escola pediram para que as crianças os acompanhassem até a quadra da escola.
Assim que se viram sozinhos, os falsos inspetores sacaram armas de fogo e apontaram para Thomas, que corajosamente se colocou na frente de Vivian e Gustavo, pretendendo se sacrificar por eles.
Uma decisão corajosa e louvável.
E totalmente desnecessária.
Antes mesmo que os servos da Igreja da Luz sequer pudessem saborear o momento de poder, advindo de seguir as ordens de seus mestres e ajudar a vencer o maior inimigo de sua religião, mal puderam gritar, quando suas mãos foram violentamente seccionadas de seus braços.
Surgindo de uma sombra gigantesca, formada sob os pés das crianças, um imenso animal, semelhante a uma pantera, mas com chamas azul-esverdeadas cercando seu pescoço, a pele completamente preta e maior até do que um urso, encarava os servos, enquanto soltava um rosnado baixo.
Sem aviso algum, num átimo de segundo, a pantera saltou sobre os assassinos fracassados e, mais uma vez, impedindo que eles tivessem tempo até para gritar por socorro, os arrastou para a escuridão, deixando um trio surpreso e aliviado de crianças para trás.
— Aposto que isso é coisa do Tio Matheus.
— E está certo Thomas. Não acha Kosen?
O jovem necromante observava vitorioso seu inimigo, que permanecia paralisado, ao perceber o imenso erro que havia cometido.
Matheus, Kahandrack, o necromante conhecido como Flagelo, jamais teria deixado sua família sem proteção.
— Esse é Rathran, um dos primeiros servos que criei com meus poderes de necromante lá em Ghunthiade.
Como resposta ele só recebeu silêncio.
— Ora, o gato comeu sua língua? Quem estava todo confiante nesse plano idiota de ameaçar aqueles que eu amo? Vai realmente ficar quieto?
Naquele momento o acólito de feições orientais começava a pensar em escapar, mas percebeu que a escuridão que estava a seus pés agora se erguia ao redor de suas pernas, impedindo-o até mesmo de mudar de forma.
— Nada disso. Nem pense em sair. Agora vai ver o “show” inteiro.
Matheus pareceu surgir do nada às costas de Kosen, segurando-o pelo cabelo, enquanto pequenos tentáculos alcançavam os olhos do Acólito, forçando-os a permanecer abertos.
E então ele viu seu plano meticuloso ser destroçado em instantes.
4 Comentários
Que episódio f...da!
ResponderExcluirA frieza de Matheus que, não se deixou levar pela chantagem de Kosen e Salazar foi a cereja do bolo de um capítulo curto mas, preciso
Ver a decepção de ambos com seus planos frustrados , não teve preço.
Realmente, Flagelo é para os fortes.
Sua autoconfiança é uma de suas principais armas.
Meus parabéns!
Valeu demais pela leitura e comentário.
ExcluirEssa faceta do Matheus aflorou exatamente porque seus inimigos tiveram a ousadia de ameaçar seus entes queridos.
Tentei seguir essa linha, ao ivés de fazer ele se descontrolar e partir totalmente encolarizado, par mostrar como ele tá à frente dos inimigos para que, lá na frente, alguns acontecimentos não pareçam ter surgido do nada.
Vamos ver se conseguirei.
Valeu mesmo!
Cara, Flagelo é implacável e sempre tem um truque na manga kkkkk! Eu confesso que faziam uns dois episódios que eu me preocupava, como o cara vai cuidar de todo mundo, ele deixou expostos as pessoas que ele gosta, isso é óbvio, vai gerar retaliações à eles como forma de o controlar... Eu sabia que tu ia criar algo, mas também sei que tu deixa os personagens as vezes morrerem e eu tava temendo por muitos deles, ainda mais em Codex onde as mortes fazem parte dos episódios! Então eu cogitei, poderia ele ter se deslocado em velocidade absurda até lá quando deixou a névoa aumentar e depois se controlou? Poderia se desdobrar e estar em dois lugares ao mesmo tempo? Pensei muita coisa, mas jamais cogitei um guardião e isso me remeteu a outra coisa que amo de coração, Final Fantasy, onde eles tem poderosas criaturas guardiãs que os protegem, então ver essa pantera surgindo e dando conta dos inimigos, protegendo as crianças, foi sem dúvida, a cereja do bolo desse episódio! E agora, nosso inimigo antes arrogante virou Tchutchuca, kkkkkkk, só resta esperar pela conclusão do seu destino nas mãos do Flagelo, que conseguiu atacar Salazar sem ele nada poder fazer, imagina contra o acólito apenas! Mandou muito bem cara, meus parabéns Norb, como sempre , excelente trabalho!! \0/
ResponderExcluirValeu pela leitura e comentário amigão, e desculpa pela demora.
ExcluirNos quadrinhos coreanos de necromantes, inclusive no famoso Solo Leveling, eu vi várias vezes aqueles que controlam as Sombras, deixá-las como guardiãs de seus entres queridos e eu curto tanto esse conceito que não resisti a usar aqui.
O seu comentário, como sempre, já me animou a dar um up no próximo capítulo e terminá-lo logo.
Valeu mesmo!!