Olá leitores, eis que aqui inicio um título novo, num estilo que eu estava querendo me aventurar já faz um tempo, uma história com temática esportiva, inspirado pelo anime de vôlei, o Haikyuu.
Como não sou especialista em nenhum esporte já existente, decidi tentar bolar algo do zero e aproveitei o universo de Terra Zenith para incluir esse novo título.
Espero consegui bolar algo, no mínimo, interessante.
Portanto, sem mais delongas, boa leitura.
Terra Zenith.
Time Tupã #1.
Surpresa Inicial.
— Olá amantes do Esporte! Sou Joaquim Desalles e estou aqui em Nova York junto com meu bom amigo e companheiro de transmissão, Paulo Santos, para acompanharmos junto com vocês o início do Mundial de Zennball desse ano, pelo canal ZESPN, direto do Estádio principal dos EUA, o Thunder Z Dome. Vai ser um primeiro jogo tenso não é Paulo?
— Tenso é apelido Joaquim. Ao menos, será uma estreia extremamente difícil para o Time Tupã, nosso representante do Brasil no mundial, uma vez que o novo time, formado a menos de um ano, vai bater de frente com o Freedom Eagle, dos EUA, os campeões absolutos dos dois últimos campeonatos.
— Exato Paulo, mas vou aproveitar que os times ainda não entraram no estádio para dar um pouco de contexto a todos que estão nos assistindo. Para quem for alienígena, visitante de outra realidade, ou está conhecendo só agora o maior e mais famoso esporte de nosso planeta, aqui vai um resumo relâmpago…
“O Zennball foi chamado inicialmente de Zenithball, passou uma época apenas como Zball e no fim foi oficialmente batizado com o nome atual a cerca de duas décadas atrás, quando uma partida acabou evitando uma guerra entre dois países.
Como as primeiras partidas surgiram de forma urgente, para evitar guerras abertas entra zeniths, suas regras foram estabelecidas da forma mais simples possível.
Cada time apresenta cinco jogadores, sendo que são obrigados a ter um membro com foco em força e outro em velocidade, enquanto os três restantes podem apresentar poderes variados.
As partidas não possuem tempo de término e quase nenhuma ultrapassou uma hora de duração.
Quando o apito inicial soa, o curso normal da partida é iniciar com uma ação dos velocistas, que correm pelo campo, descobrindo entre as cinco bolas espalhadas, qual a mais leve para poder fazer o primeiro gol e então todos se esforçar para usar mais três bolas para pontuar, deixando a mais pesada, para que o membro com poder baseado em força faça o último e mais importante gol, uma vez que, mesmo se o time tiver perdido 4 das 5 bolas, o valor de ponto da última pesa tanto quando seu peso real.
Muitos jogos terminaram com a vitória do time que conseguiu fazer apenas o gol com bola mais pesada, a chamada Bola do Peso Absoluto, cujo ponto, se realizado até fim da partida, acaba valendo mais que todos os outros.”
— Algo que é extremamente comum na maioria das partidas, Joaquim, e que acabou sendo o maior motivo das derrotas que levaram, cinco anos atrás, à dissolução de um time brasileiro que vinha atuando juntos há mais de quinze campeonatos.
Repentinamente o som ao redor da sala de transmissão da dupla brasileira de comentaristas de Zennball, foi tomada por gritos de alegria, assobios, toques de cornetas e todo tipo de barulho, que soavam alto demais e chegavam a causar um estremecimento, que se irradiava dos pés até a cabeça, se concentrando no estômago.
Tal comoção era captada pelos microfones e os comentaristas silenciaram um instante até que a algazarra fosse diminuindo de intensidade.
— Pela reação do público, acho que o estádio está com lotação completa, com quase cem mil pessoas, é fácil de imaginar quem chegou! São eles, o time da casa, os Freedom Eagle!
Quatro homens e uma mulher passavam por um imenso túnel transparente, que ligava área dos vestiários ao campo de Zennball, um imenso espaço gramado com o comprimento de 120 metros e uma largura de pouco mais de 90 metros, devidamente cobertos com um poderoso campo de força, que se mostrou necessário a algumas décadas atrás, quando um jogador perdeu o controle de seus poderes de vento e dezenas de expectadores morreram.
— Kennedy Winchester, o homem forte da equipe, como sempre, vem andando na frente dos companheiros, a velocista Scarlet Fast, os Gêmeos Estroboscópio, Galen e Hunter e o hidrocinetico que veio da Rússia e conseguiu cidadania americana, Anatoly, chamado por alguns de Maremoto.
— É um dos mais fortes dessa temporada, Paulo. O time americano tem o costume de prolongar um pouco as partidas, tudo em nome do show, gostam de um modo de jogo extremamente controlador, muitas vezes procurando atacar e humilhar seus oponentes.
— Nem me lembre disso Joaquim, a equipe da Espanha, no ano passado, terminou a partida contra os EUA chorando feito crianças. Ouvi falar que o foco do treino recente dos espanhóis, nesse último ano, foi muito mais psicológico do que físico.
— Espero que o time brasileiro tenha se preparado também, se perdermos mais esse ano, é bem capaz de perdermos as quatro estrelas dos campeonatos que conquistamos no passado.
— Bem lembrado Paulo. O Brasil é o único país a ter vencido quatro vezes o Mundial, mas como estamos a muito tempo sem nem chegar às quartas de finais, segundo uma nova regra criada pela organização mundial de Zennball, o que gerou muitas críticas pelos países que tem de duas a três estrelas, mais foi comemorado por aqueles que ainda não conseguiram nenhuma, se um time ficar muito tempo sem ganhar o mundial, perde suas estrelas, precisando começar do zero novamente.
— Os EUA não ligaram muito, tendo o total de três estrelas seguidas, eles acreditam que esse ano poderão se equiparar ao Brasil e, quem sabe, até tomar o posto de único campeão 4 estrelas, caso essa nova regra acabe nos prejudicando e…
Repentinamente o estádio foi inundado pelo som estridente de vaias, que cobriam totalmente as poucas palmas e gritos de apoio, quando finalmente o Time Tupã apareceu no outro túnel de acesso, localizado exatamente do lado oposto do campo, por onde os americanos haviam passado.
— E aí estão eles! Paulo, por favor, veja aí na internet o nome dos integrantes dessa nova, ou não tão nova assim, versão do nosso time de Zennball.
— Eu fiz a lição de casa Joaquim e já trouxe de cara a escalação completa do Time Tupã, que conta com nosso homem forte e único membro que já participou de vários mundiais, que voltou da aposentadoria, dizem por aí, graças à insistência do novo técnico e do dono da empresa Boa Ventura S/A. É o Muralha!
Conforme os comentaristas iam passando informações, ao mesmo tempo que procuravam modular suas vozes para extrair a máxima empolgação dos expectadores que os assistiam, um imenso homem seguia à frente do time brasileiro, erguendo os braços e, ignorando aqueles que os vaiavam, pedia ainda mais força para os poucos grupos de fãs do Brasil, que haviam conseguido viajar para os EUA por ainda acreditarem no seu time.
— E logo atrás, aquele pequenininho e magrelo, é Cauã Relâmpago, o velocista brasileiro que, segundo rumores, saiu direto de uma cidadezinha do interior de Minas Gerais para o time, tendo sido recrutado pelo novo técnico. Uma promessa e tanto que ninguém ainda viu em ação, uma vez que seus treinos não foram liberados para a imprensa acompanhar.
Alguns poderiam imaginar que uma estreia daquele porte, com tamanha pressão por parte do histórico recente de derrotas do Brasil na competição, deixariam qualquer um intimidado, mas o jovem de apenas dezessete anos caminhava com o corpo ereto, um sorriso confiante no rosto e erguendo a mão direita para cumprimentar com um animado aceno, não apenas os fãs, mas também a torcida rival, que até mesmo jogava copos e restos de comida sobre o túnel de acesso do Brasil.
— O garoto é cheio de marra e por falar em marra, logo atrás dele, dando até mesmo um peteleco na cabeça do Cauã, pra ele baixar a bola, vem outra novidade, Alice Santana, que não escolheu nenhum tipo de codinome, uma prática comum entre os novos jogadores, numa tentativa de surpreender seus oponentes, sem usar um nome que releve algo sobre seus poderes.
A mulata de cabelos curtos e curvas bem definidas, cujo uniforme nas cores verde, azul e branca, fazia questão de destacar, seguia também com passos tão confiantes quanto os dos colegas, parando algumas vezes para posar para os fãs que estendiam seus celulares, pretendendo capturar aquele momento, fosse para lembrar de uma vitória improvável, fosse para atacar o time mais tarde na internet, caso viessem a perder.
— Vindo por último, lado a lado e, assim como os demais companheiros, trazendo sorrisos de confiança total, os dois membros restantes do Time Tupã, Alessandro Torres e Clara de Albuquerque e Rosas.
Os dois últimos membros andavam lado a lado, ele olhando fixamente para frente, ignorando completamente a algazarra da plateia, mais tarde, em entrevistas, Alessandro diria que estava tentando controlar o nervosismo.
Já Clara, assim como seu colega Cauã, não conseguia esconder o sorriso amplo, no caso dela mais de nervosismo do que de empolgação, sentindo o tremor do solo, resultante do barulho dos torcedores, por dentro de todo o seu corpo, o que a fez flutuar, ficando a alguns centímetros do chão, sua pequena capa começando a esvoaçar levemente, conforme ela acompanhava seu time.
— O momento finalmente chegou, ambos os times estão em lados opostos do campo, as bolas espalhadas, impossível saber qual é qual e enquanto aguardam o apito que marca o início da partida todos fazem um tipo de aquecimento.
— Joaquim, não sei bem o que se passa no time brasileiro, mas olha só o Cauã Relâmpago.
No campo o jovem brasileiro se mantinha com as pernas levemente abertas e flexionadas e, conforme ele batia os braceletes dourados que estavam ao redor dos pulsos, era possível ver fagulhas elétricas se formando.
— Usar um nome tão óbvio e ainda aparentemente ir preparando os poderes dessa forma, parece que ele tá gritando que sua velocidade tem como base a eletricidade e já vimos no passado que isso não acaba muito bem, ainda mais considerando que, no time americano, temos um zenith que controla água.
— Verdade total Paulo. Como esquecer de uma das poucas mortes ocorridas em campo, quando um velocista elétrico foi atingido pelos poderes de água de uma oponente e morreu eletrocutado? Confesso que esse começo está me deixando muito preocupado. Ah! Olha só o Juiz ergueu o punho direito, então em alguns segundos o apito inicial vai soar e, pelo visto, o capitão da Freedom Eagle tá cumprimentando seus adversários, lembrando que ele e o Muralha se enfrentaram algumas vezes antes da aposentadoria do nosso homem forte.
Os microfones direcionais, espalhados por toda a extensão do campo foram capazes de captar exatamente as palavras de Kennedy Winchester, que foram compreendidas pelos jogadores brasileiros graças ao campo de tradução instantânea instalado em todos os estádios de Zennball.
— Aí Muralha! Voltou porque tava com saudades da gente chutar a sua bunda? E trouxe a molecada aí pra eles aprenderem a perder cedo?
Os colegas de time imitaram a risada exagerada do líder, parando apenas quando ele ergueu o punho direito, mostrando que era ele, e apenas ele, quem mandava ali.
— Sempre tentando dar showzinho não é Ken? Espero que tenha trazido bastante daquele molho esquisito que tu adora.
— E pra que eu ia fazer isso, seu velho acabado?
— Prá quando tu for engolir essas palavras, seu otário.
Sem dar chance para que o americano respondesse a provocação, o apito do início da partida soou, mas praticamente ninguém conseguiu se mover pois, antes mesmo do som terminar se se espalhar pelo estádio, quatro outros sinais sonoros foram ouvidos.
— Espera aí! Joaquim, você viu o que aconteceu?
— Não mesmo Paulo. Deve ter sido um defeito, algo assim. Todos em campo estão sem reação, os americanos olhando para os lados, perdidinhos, os juízes indo consultar as gravações. Ninguém sabe o que aconteceu, porque a partida nem tinha começado direito e quatro avisos de ponto soaram em seguida!
— Mas olha o time brasileiro Joaquim! Muralha, Alice, Alessandro e Clara estão fazendo pose descontraídos, enquanto o jovem Cauã está com as mãos nos joelhos, arfando, parece estar totalmente sem fôlego.
— E olha o motivo ali! O placar está realmente marcando quatro pontos para o time brasileiro! A gente precisa ver as gravações pra tentar entender alguma coisa!
— Mandou bem moleque.
Muralha, apesar de seu tamanho e força, colocou levemente a mão no ombro do jovem companheiro, que foi se erguendo, ajeitando o corpo e, com um imenso sorriso de satisfação, estendeu a mão direita no ar, fazendo um “V” de vitória com os dedos indicador e médio e voltando seu olhar para os adversários.
— Engole essa, seus babacas!
E a partida estava apenas começando.
Galeria de Imagens.





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